Por Marcelo Marreta
A política mato-grossense escancarou de vez suas contradições. A discussão sobre a aliança entre PL e MDB para 2026 separa quem entende o jogo das urnas de quem prefere posar de puro.
De um lado, o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, resolveu bancar o resistente. Chama o MDB de “sistema”, promete não aceitar imposição e diz que não se curvará a Brasília. O detalhe incômodo: Abílio não é mais deputado federal e hoje é apenas prefeito de uma capital. Sua voz tem menos alcance do que antes. Pior: atira contra o “sistema”, mas aceitou as verbas do próprio PL para se eleger prefeito. A incoerência fica escancarada, e sua teimosia o transforma num cavaleiro solitário, sem tropa para seguir atrás.
Do outro lado, o vereador Rafael Ranalli (PL) mostra pragmatismo: se a direção nacional decidir pela coligação, ele segue a orientação. Para ele, trazer o MDB é ampliar votos da direita e fortalecer o palanque. Não tem romance, tem cálculo político.
No centro do tabuleiro está o senador Wellington Fagundes (PL). Experiente e alinhado a Brasília, ele lembra que a diretriz nacional é clara: não pode haver aliança com partidos de esquerda, mas com o MDB, sim. Além disso, Wellington aponta que o MDB pode ajudar até na aprovação da anistia de Bolsonaro no Congresso. Pesquisas recentes mostram Wellington liderando a corrida ao Governo de Mato Grosso contra Pivetta. Quem tem números e projeto majoritário fala mais alto.
A conta é simples: Wellington joga com os números, Ranalli joga com a realidade e Abílio prefere jogar sozinho. Só que, em política, quem se isola acaba reduzido a um figurante barulhento.
No fim, Brasília vai decidir. E se o martelo bater a favor da coligação, não haverá grito de Abílio que segure a marreta da direção nacional.
Porque em 2026, não vence quem aponta o dedo para o “sistema”. Vence quem sabe usar o sistema a seu favor para chegar inteiro na eleição.
Recado do Marreta: Abílio chama o MDB de sistema, mas só virou prefeito com o caixa do PL. Ranalli não se ilude e Wellington já mostra quem vai ditar o rumo da direita em 2026.



























