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    Psicólogos de MT articulam jornada de 30 horas e reivindicam valorização da categoria nos municípios

    Por Orestes Miraglia

    Movimento liderado pelo SINDPSI-MT busca sensibilizar câmaras municipais e autoridades estaduais para aprovar pautas estruturantes da Psicologia no serviço público

    Psicólogos do município de Rondonópolis e de diversas cidades mato-grossenses intensificaram, nos últimos dias, uma mobilização estratégica em torno da consolidação de pautas históricas da categoria. O movimento é encabeçado pelo Sindicato dos Psicólogos de Mato Grosso (SINDPSI-MT), que reivindica, entre outros pontos, a adoção da jornada de 30 horas semanais sem redução salarial, a implantação de plano de carreira, a valorização salarial e a ampliação da atuação dos profissionais na Atenção Primária à Saúde.

    A articulação, que ganhou força após visita recente do Conselho Regional de Psicologia (CRP/18) a Rondonópolis, está alicerçada em premissas técnicas e jurídicas consistentes. A redução da carga horária semanal para 30 horas — já implementada em municípios como Primavera do Leste e em fase de organização em Cuiabá — encontra respaldo na autonomia legislativa dos entes municipais e em precedentes administrativos que reconhecem a natureza extenuante do trabalho psicológico, sobretudo no contexto do SUS.

    “O que se busca não é privilégio, mas sim a adequação da jornada à exigência psíquica da profissão e ao imperativo da qualidade do atendimento à população”, afirma Gilvane Teixeira de Souza, presidente do SINDPSI-MT. Segundo ele, o sindicato tem conduzido interlocuções com lideranças políticas em diversas frentes, inclusive junto à Assembleia Legislativa do Estado, onde mantém diálogo com o deputado Max Russi, presidente da Casa.

    Embora o pleito pela jornada de 30 horas seja o eixo aglutinador da mobilização, a pauta é mais ampla. Inclui a institucionalização de um plano de carreira que assegure progressão funcional, critérios objetivos de avaliação, valorização financeira e condições dignas de trabalho, sobretudo nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Pronto Atendimento (UPA), policlínicas e centros de atenção psicossocial, onde o papel do psicólogo é decisivo na linha de frente da saúde mental pública.

    Sob o lema “Por uma Psicologia forte, valorizada e reconhecida”, o SINDPSI-MT defende que a conquista das 30 horas deve se dar pela via legislativa municipal, contando com o apoio das câmaras de vereadores. A proposta, ao contrário do que se argumenta em setores refratários, não configura violação ao interesse público, mas sim um avanço civilizatório no trato com o servidor especializado, já que impacta diretamente na qualidade do serviço prestado à sociedade.

    Além da estratégia institucional, a mobilização investe na conscientização da base. Profissionais da psicologia em todo o estado vêm sendo convocados a participar ativamente de reuniões, atos públicos e campanhas de comunicação para dar visibilidade à pauta e pressionar os poderes locais.

    “É uma agenda que transcende a corporação. A luta por condições adequadas de trabalho é, antes de tudo, uma luta por políticas públicas eficazes e humanas. Profissionais sobrecarregados não conseguem oferecer escuta qualificada, nem intervenções terapêuticas adequadas”, observa um dos articuladores do movimento em Rondonópolis.

    A mobilização segue em curso com a perspectiva de que a união entre os municípios possa pavimentar conquistas significativas em curto e médio prazo, consolidando em Mato Grosso um novo paradigma para a atuação dos psicólogos no setor público — com mais dignidade, mais reconhecimento e mais saúde, tanto para quem cuida quanto para quem é cuidado.

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