ATHOS, Conceito, DDMix e Solução faturam alto enquanto colaboradores reclamam de atrasos
RONDONÓPOLIS (MT) — No meio da novela das terceirizadas, quem segue pagando a conta é sempre o mesmo: o trabalhador. Gente que cumpre jornada, segura o serviço público funcionando e, no fim do mês, recebe desculpa em vez de salário. A narrativa das empresas é conhecida e repetida: “a Prefeitura não pagou”. Mas os números oficiais e os relatos constantes dos servidores contam outra história.
Desde que assumiu o Município, o prefeito Cláudio Ferreira herdou um passivo superior a R$ 142 milhões, inclusive dívidas do fim de 2024. Uma das primeiras medidas da gestão foi regularizar os repasses. Em 2025, a Prefeitura pagou em dia, mês a mês, mesmo com contratos prevendo carência de até 90 dias. Ainda assim, trabalhadores continuaram ouvindo que “o dinheiro não entrou”.
A redação do Marreta Urgente recebe as denúncias
E aqui entra um ponto que precisa ser dito com todas as letras. A redação do Marreta Urgente recebe mensalmente dezenas de reclamações de servidores terceirizados. Relatos de salários constantemente atrasados, férias não pagas, direitos trabalhistas descumpridos e incerteza total sobre quando o dinheiro vai cair na conta. São mensagens recorrentes, de diferentes contratos e empresas, sempre com o mesmo roteiro: a culpa jogada no Município.
O problema é que isso não corresponde à realidade dos pagamentos públicos. O trabalhador está sendo enganado pela narrativa.
📊 RECEBIMENTOS DAS EMPRESAS TERCEIRIZADAS EM 2025
(Pagamentos realizados pela Prefeitura – período de 02/01 a 31/12/2025)
| Empresa terceirizada | Valor total recebido em 2025 |
|---|---|
| ATHOS Assessoria e Serviços Terceirizados EIRELI | R$ 22.289.833,76 |
| Conceito Serviços Técnicos EIRELI | R$ 35.080.383,09 |
| DDMix Terceirização LTDA | R$ 16.947.162,68 |
| Solução Terceirização e Serviços LTDA | R$ 11.977.249,34 |
| TOTAL GERAL (corrigido) | R$ 86.294.628,87 |
Mesmo com esses valores milionários recebidos ao longo de 2025, a redação do Marreta Urgente recebe mensalmente denúncias de servidores terceirizados relatando salários atrasados, férias não pagas e outros direitos trabalhistas descumpridos, situação que as empresas atribuem, de forma recorrente, à Prefeitura justificativa que não encontra respaldo nos dados oficiais de pagamento.



Agora a pergunta que precisa ser feita em defesa do servidor terceirizado: como empresas que receberam dezenas de milhões de reais em um único ano alegam não ter recursos para pagar salários, férias e encargos básicos? A conta não fecha.
Segundo consta, a estratégia é clara: atrasar salário, empurrar a culpa para a Prefeitura e colocar o trabalhador na linha de frente da pressão. Enquanto isso, a empresa tenta forçar antecipação de caixa, como se o dinheiro público fosse extensão do caixa privado. Quem sofre é quem depende do salário para viver.
Defender o trabalhador não é passar pano para empresa. É exigir transparência e dizer claramente, a Prefeitura pagou; as empresas receberam e os atrasos decorrem de falha empresarial, não de falta de repasse.
Servidor terceirizado merece respeito, informação correta e salário em dia. Não merece ser usado como instrumento de chantagem financeira nem como massa de manobra. Se há descumprimento contratual, que se apliquem penalidades, que se exijam garantias e que se escancarem os números.
A verdade precisa chegar primeiro a quem trabalha.
Porque salário atrasado não é detalhe. É violência financeira.
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