BRASÍLIA (DF) — O cofre partidário bancado pelo contribuinte voltou a bater recorde em 2025. O fundo partidário distribuiu R$ 1,126 bilhão para 19 siglas, alta de 2,4% sobre 2024. A maior fatia ficou com quem já manda no jogo: PL levou R$ 192,2 milhões e PT R$ 140,5 milhões. Na sequência aparecem União Brasil, Republicanos e PSD. Juntos, os cinco maiores ficaram com 27,7% de todo o bolo.
Pela regra atual, 95% do dinheiro é dividido conforme o desempenho na última eleição para deputado federal. Ou seja: quem tem mais voto ganha mais verba, e com mais verba amplia estrutura e influência. O ciclo se retroalimenta. O restante é repartido igualmente entre as legendas que atingem a cláusula mínima.
Na outra ponta, dez partidos ficaram zerados em 2025 por não alcançarem a cláusula de barreira, que exige pelo menos 3% dos votos válidos para a Câmara espalhados em um terço dos estados, ou 15 deputados federais em igual distribuição. Ficaram fora Agir, DC, Mobiliza, Novo, PCB, PCO, O Democrata, PRTB, PSTU e UP. O PV foi o que menos recebeu entre os contemplados: R$ 11,8 milhões.
Criado em 1965, o fundo virou a principal fonte de manutenção das máquinas partidárias depois que o STF proibiu doações empresariais em 2015. Hoje paga de tudo: salários, aluguel, contas, passagens e estrutura política permanente.
Distribuição do Fundo Partidário — 2025
| PARTIDO | VALOR (R$) |
|---|---|
| PL | 192.154.880,51 |
| PT | 140.467.359,38 |
| UNIÃO BRASIL | 107.132.974,30 |
| REPUBLICANOS | 87.704.215,46 |
| PSD | 84.183.150,69 |
| MDB | 82.009.481,23 |
| PP | 71.242.517,42 |
| PODEMOS | 53.761.901,69 |
| PSB | 49.518.730,48 |
| PSOL | 47.370.676,79 |
| PDT | 40.611.004,37 |
| PRD | 31.310.392,93 |
| SOLIDARIEDADE | 27.939.138,51 |
| AVANTE | 27.092.865,42 |
| PSDB | 26.557.539,26 |
| PCdoB | 18.157.754,57 |
| CIDADANIA | 14.939.832,96 |
| REDE | 12.106.608,60 |
| PV | 11.810.471,56 |
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Especialistas apontam o óbvio: o modelo concentra poder e dificulta competição. Quanto maior a bancada, maior o repasse, maior a máquina. Também cobram mais fiscalização e dados abertos em tempo quase real para rastrear gastos. Outra crítica é a baixa democracia interna, com partidos dominados por cúpulas pouco controladas pelos próprios filiados.
No papel, o fundo sustenta a pluralidade e evita que só bilionário entre na política. Na prática, reforça quem já está no topo e mantém o resto na fila. O debate agora não é só quanto dinheiro entra, mas como é gasto e quem realmente decide dentro das siglas.



























