PONTES E LACERDA (MT) — Um comentário solto, um microfone ligado e pronto: o que era pra ficar no bastidor virou dor de cabeça pública. O deputado estadual Valmir Moretto entrou no radar depois de um vídeo que circulou rápido nas redes e levantou suspeitas sobre possíveis contratos na região Oeste de Mato Grosso.
Durante evento de assinatura de investimentos que chegam perto dos R$ 200 milhões, o parlamentar foi questionado sobre quem teria vencido licitações. Na resposta, soltou: “Duas, a Agrimat e uma a minha”, em tom de comemoração. A fala caiu como gasolina no debate político.
O problema é simples: quando se fala em dinheiro público, qualquer frase atravessada vira dúvida legítima.
Depois da repercussão, Moretto correu para conter o estrago. Em nota, afirmou que tudo não passou de “vício de linguagem”. Disse que foi fundador de empresa do setor, mas que deixou qualquer vínculo ainda em 2018, antes de assumir mandato. Segundo ele, hoje não tem participação, gestão ou qualquer ligação com empresa do ramo.
O governo do Estado também entrou na história para esfriar o clima. Informou que a obra do Hospital Regional de Pontes e Lacerda ainda nem foi licitada. Ou seja, oficialmente não existe empresa vencedora porque o processo sequer começou.
Sobre outras obras, a versão oficial segue a mesma linha: não há contratos com empresas que tenham parlamentares como sócios.
Mas aí entra o ponto que não fecha redondo.
Se não existe licitação do hospital e não há contratos com empresas ligadas a políticos, de onde saiu a frase “uma a minha”? Foi só modo de falar ou escapou algo que não deveria?
Na política, às vezes o discurso é ensaiado. O problema é quando o improviso fala mais alto.
E aí não tem nota que segure a desconfiança.
Um post compartilhado por Marreta Urgente (@marretaurgenteroo)
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