FILHO DE PRESIDENTE E EMPRÉSTIMOS EM BANCOS PÚBLICOS

FILHO DE PRESIDENTE E EMPRÉSTIMOS EM BANCOS PÚBLICOS

Quando entrou a década de 1950 no Brasil, e o país experimentava pela primeira vez democracia, corrupção não era palavra de uso corrente. Não é que o tema não existisse no debate público — estava, na verdade, justamente começando a aparecer. Mas, nas páginas dos jornais, não havia uma única palavra para tratar do problema — ‘favoritismo’, ‘suborno’ ou ‘propina’, ‘negócios escusos’, ‘peculato’ eram mais comuns. No início, bem no início mesmo, da década, ‘corrupção’ era termo mais usado para o drama institucional — a República corrompida, no sentido de danificada — do que para crimes individuais — o político corrupto, no sentido de ladrão. Foi durante o segundo governo de Getúlio Vargas que isto começou a mudar. E parte desta história envolve o filho do presidente, Maneco Vargas, e um empréstimo particularmente suspeito tomado no Banco do Brasil.

Pois é: filhos de presidente e empréstimos de bancos públicos já fazem parte da história do Brasil faz um tempo. Flávio Bolsonaro não inaugurou o esquema.

O Banco do Brasil começou a chamar atenção por seu uso pessoal ou político antes de Getúlio, ainda no governo de Eurico Gaspar Dutra. Como é comum ainda hoje, esquemas de desvio que um governo cria não raro são adotados e ampliados pelo seguinte. Foi, por exemplo, o caso do Mensalão tucano em Minas Gerais, cujo método depois foi adotado pelo PT em nível federal.

Dois escândalos grandes envolveram o governo Vargas e o BB. Um envolvia o jornal Última Hora, criado para ser governista, que foi financiado com empréstimos generosos, sob juros mais baixos do que os praticados e com contrapartidas não existentes. O outro envolveu a Cexim — Carteira de Exportação e Importação do banco —, que, em essência, definia que produtos podiam ou não serem importados para o Brasil. Um esquema de subornos e tráfico de influência, com favorecimento de gente próxima ao governo, facilitou muitos negócios.

O Banco do Brasil esteve nas manchetes durante todo o governo até ser interrompido pelo suicídio do presidente. Mas foi o caso de Maneco Vargas que causou mais indignação. O filho do presidente tinha dívidas de jogo e, a um determinado momento, simulou a venda de estância sua no Rio Grande do Sul para Gregório Fortunato, chefe da segurança de Getúlio. Gregório não tinha dinheiro. Assim, providenciou-se um empréstimo feito em seu nome no BB que teve como avalista o próprio ministro do Trabalho. João Goulart. As condições nunca ficaram claras, mas tudo indica que houve um ardil para que o dinheiro aparecesse na mão de Maneco, e Gregório entrou como laranja. A história nunca se resolveu, tornou-se mais um detalhe naquilo que, pela primeira vez, foi chamado “mar de lama”. O guarda-costas tentou matar Carlos Lacerda, jornalista acidamente crítico de Getúlio e futuro político e, assim, tornou a crise ainda mais aguda.

Redação com Meio

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