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    Feminicídios disparam em março e colocam MT no topo do ranking

    MATO GROSSO — O mês que deveria simbolizar respeito virou estatística de morte. Março, marcado pelo Dia da Mulher, já é o mais violento do ano quando o assunto é feminicídio no estado.

    Segundo levantamento, foram 2 mortes em janeiro, 2 em fevereiro e 5 só em março. Na prática, o número não caiu. E isso, segundo o Ministério Público, não é estabilidade… é alerta vermelho.

    A procuradora do MPMT, Claire Vogel Dutra, foi direta: se não reduz, é porque está falhando. Segundo ela, Mato Grosso hoje ocupa o 3º lugar no ranking nacional de feminicídios, e não saiu do topo por melhora, mas porque outros estados pioraram ainda mais.

    Segundo consta, o feminicídio quase nunca começa no tiro ou na faca. Ele vem antes, silencioso. Controle, ameaça, agressão, medo. Um ciclo que cresce até explodir.

    E o dado que mais assusta: a maioria das vítimas nunca denunciou.

    Nem boletim. Nem medida protetiva.

    Quando a proteção chega, funciona. Em 2025, mais de 18 mil medidas foram concedidas no estado. Destas, apenas sete vítimas morreram. Em parte dos casos, houve retomada do relacionamento com o agressor.

    Ou seja, o problema não é só a lei. É fazer com que a mulher consiga sair antes que seja tarde.

    Outro ponto que chama atenção é o uso de tornozeleira eletrônica. Segundo a procuradora, não há registro de feminicídio com monitoramento ativo. Mesmo assim, a ferramenta ainda é pouco usada.

    Além das falhas no sistema, existe um problema mais profundo. Cultural.

    Segundo a avaliação, o machismo ainda está enraizado e agora ganha combustível na internet, onde discursos de ódio contra mulheres circulam livremente e influenciam principalmente jovens.

    Na mesma semana em que os números assustam, o Congresso reagiu. A misoginia agora passa a ser crime, com pena de até 5 anos. Já o chamado vicaricídio, quando o agressor mata filhos ou familiares para atingir a mulher, passa a ser considerado crime hediondo, com penas de até 40 anos.

    Mas a própria procuradora alerta: lei sozinha não resolve.

    Sem mudança na base, educação, apoio e rede de proteção funcionando, o ciclo continua.

    E março deixa isso claro.

    Cinco mulheres perderam a vida só neste mês:
    Gabia Socorro da Silva, Estefany Pereira Soares, Simone da Silva Matiuzi, Luiza Regina Oliveira Zanoni e Nathaly Gonçalves.

    Cinco nomes. Cinco histórias interrompidas.

    E um recado duro: a violência começa no silêncio… e termina onde ninguém consegue voltar.

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