Especialista alerta: “A questão não é a idade, mas a fragilidade”

Especialista alerta: “A questão não é a idade, mas a fragilidade”

Considerado grupo mais vulnerável à contaminação pelo coronavírus, idosos têm se cuidado. Mas, segundo especialista, atitudes e cuidados pesam mais que os anos para a população tida como vulnerável

Tempo de atenção redobrada para filhos, irmãos e netos, isolamento para as famílias e cuidado especial com os idosos, principalmente os fragilizados. Desde 11 de março, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a pandemia da COVID-19, causada pelo novo coronavírus, os hábitos mudaram e a vigília começou nas casas. Bem antes do anúncio, as pessoas mais velhas já estavam no foco como alvo principal da doença, que já provocou 432 óbitos no Brasil, com 10.278 positivos. No país, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há cerca de 30 milhões de idosos, dos quais 4 milhões vivem sozinhos.

Até agora, a faixa etária entre 60 e 70 anos apresentou o maior número de casos, concentrando-se, entre 80 e 90 anos, os óbitos. Em Minas, seis pessoas morreram, e os últimos dados mostram 430 infectados e 44.528 casos suspeitos. Estão sendo investigadas 64 mortes. 

Mas, para não entrar em pânico, é bom prestar atenção às palavras do geriatra Edgar Nunes de Moraes, coordenador do Centro de Referência de Idosos do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e consultor do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). “A questão não é a idade, mas a fragilidade.” O risco maior, portanto, aponta para os adultos dependentes e incapazes de cuidar de si. Há os idosos robustos e os fragilizados, os quais podem estar com 70, 80 ou mesmo 50 anos”, destaca o médico, avesso a delimitar a faixa etária para essa etapa da vida.

MUDANÇA RADICAL Se no Brasil há cerca de 30 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, é bom lembrar que a faixa etária para definir idoso varia muito, inclusive entre países. Mas números sem um rosto não fazem muito sentido. Também na ativa, a cuidadora Cleusa Damasceno de Oliveira, casada, três filhos, fez uma mudança radical aos 62 anos, a partir da epidemia.

Os idosos estão mesmo mais sujeitos à infecção causada pelo coronavírus?

Há muitos equívocos sendo divulgados e esse é um deles. É preciso esclarecer que a idade não é o marcador mais importante, e sim a fragilidade da pessoa. Ter pressão alta também não é o problema, pois 70% dos idosos são hipertensos. Vale ressaltar que idade não é doença.

O que identifica a fragilidade?

A dependência funcional: incapacidade de cuidar da própria vida, de se alimentar, de ir ao banheiro sozinho, pagar as contas. Uma pessoa acamada está mais frágil. Esse conjunto de condições, associado às questões de saúde, traz riscos. Há pessoas de 70, 80 anos que são robustas, outras de 50 nem tanto. Tudo depende da vitalidade.

Quais são suas orientações neste momento?

O isolamento social, sem sair mesmo, e a proteção da casa contra o ambiente externo. E lavar bem as mãos, sempre. Estamos dedicando especial atenção às instituições de longa permanência para idosos, com todas as informações no site ilpi.me. São cinco passos: preparação dos profissionais, comunicado aos idosos residentes, aos familiares e à sociedade e compra de insumos de proteção. 

Redação com Estado de Minas

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