RONDONÓPOLIS (MT) — O ex-prefeito José Carlos do Pátio, ainda nem se filiou oficialmente ao Partido Verde, mas já conseguiu criar desgaste dentro da legenda. Nos bastidores da política mato-grossense, dirigentes do PV admitem que a paciência está perto do limite diante da postura considerada intransigente do ex-prefeito.
Há meses Pátio articula sua entrada no partido com o objetivo de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso em 2026 pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB. A negociação vem sendo conduzida com a cúpula estadual do PV, liderada por José Roberto Stopa, e conta inclusive com aval da direção nacional.
O problema é que, segundo interlocutores do próprio partido, o ex-prefeito tem tentado interferir em decisões estratégicas internas mesmo sem estar oficialmente filiado. A postura tem causado desconforto entre lideranças que veem na atitude um sinal de que os problemas políticos podem começar antes mesmo da formalização da filiação.
Na noite desta quinta-feira (12), mais uma reunião estratégica ocorreu entre dirigentes do PV estadual para discutir o cenário eleitoral e os nomes que podem representar a legenda em 2026. O encontro teve como foco principal o fortalecimento do mandato do vereador Jamal Daud em Rondonópolis, que vem sendo visto dentro do partido como um quadro disciplinado e alinhado às diretrizes da legenda.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que Jamal pode acabar ocupando o espaço que inicialmente vinha sendo cogitado para Pátio. A leitura interna é simples: enquanto um tenta impor condições antes mesmo de vestir a camisa do partido, o outro já está dentro da estrutura e demonstra disposição para seguir a estratégia definida pela direção.
Integrantes do PV afirmam que o partido não pretende se transformar em palco para estrelismo político. Caso o clima continue azedo, a possibilidade de barrar a filiação do ex-prefeito passou a ser tratada como alternativa real.
A conta é simples no tabuleiro político. Sem legenda, não há candidatura viável. E dentro do Partido Verde, o recado começa a ficar claro: ou entra no jogo coletivo ou pode acabar vendo a eleição de 2026 do lado de fora.
Nos corredores da política em Mato Grosso, a frase que circula é direta: o PV quer candidato que some, não alguém que chegue querendo mandar antes mesmo de se filiar.



























