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    Coder vira palanque: sofrimento de trabalhador é usado como combustível eleitoral em Rondonópolis

    RONDONÓPOLIS (MT) — A audiência pública realizada na noite desta terça-feira (17), na Câmara de Vereadores, escancarou o que muita gente já desconfiava: a crise da Coder virou trampolim político. O que era pra ser discussão séria sobre salários atrasados e o futuro da companhia virou um verdadeiro teatro de promessas, com plateia formada por trabalhadores desesperados.

    A pauta era a liquidação da empresa, travada num rolo jurídico que ninguém resolve, enquanto pais de família seguem sem receber. Mas bastou abrir o microfone que começou o desfile de pré-candidatos, todos muito preocupados… com 2026.

    Passaram por lá nomes como Tiago Silva, Júnior Mendonça, Neles Farias, o vice-prefeito Altemar Lopes e, claro, o velho conhecido da política local, Zé do Pátio. Nomes de olho numa vaga para assembleia legislativa ou quem sabe na câmara federal.

    E foi justamente Zé quem deu show. Com discurso pronto, tentou vestir a capa de salvador da Coder. O mesmo que comandou o município por oito anos e viu a dívida da companhia sair de cerca de R$ 6 milhões e explodir para mais de R$ 200 milhões, agora aparece como se tivesse descoberto a solução mágica.

    A cena é curiosa. O problema cresce na gestão, e depois o próprio gestor volta como “herói” pra dizer que resolve.

    Já o vice-prefeito Altemar Lopes seguiu outra linha. Disse que a Coder não vai fechar, falou em esperança, misturou política com espiritualidade e repetiu o discurso de que a liquidação foi feita de forma apressada e atrapalhada. No entanto, ignorou que a decisão de liquidação da Coder foi embasada em pareceres técnicos do TCE-MT, do controle interno da Prefeitura Municipal e da Procuradoria-Geral do Município, o que acaba colocando em xeque órgãos que atuaram diretamente no processo.

    Enquanto os discursos se repetem, o salário do trabalhador continua parado, sem qualquer solução iminente. O funcionário da Coder segue sem dinheiro, sem resposta e agora servindo de plateia para político em busca de voto.

    A pergunta que fica é simples: se não tivesse eleição chegando, esse tanto de “preocupado” estaria lá?

    Porque, na prática, o que se viu foi isso; muita fala bonita, muita pose de salvador e zero solução concreta.

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