Por Marcelo Marreta
O Brasil assistiu, no último domingo (17), a mais uma explosão de ressentimento de Carlos Bolsonaro (PL-RJ) contra lideranças da direita. Em publicações no X, o vereador carioca chamou governadores como Romeu Zema, Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior de “ratos oportunistas” que tentariam se apropriar do espólio político de Jair Bolsonaro.
A crítica, no entanto, revela muito mais sobre o vício personalista do bolsonarismo do que sobre a realidade da política brasileira.
A armadilha do “ismo”
Todo termo político que termina em ismo costuma carregar algo ruim ou perigoso. Foi assim com o peronismo, o chavismo, o bolivarianismo comandado pela esquerda e, no Brasil, temos o bolsonarismo sob a ótica da direita.
O filósofo britânico Roger Scruton, referência mundial do pensamento conservador, já alertava:
“O conservadorismo advém de um sentimento que toda pessoa madura compartilha com facilidade: a consciência de que as coisas admiráveis são facilmente destruídas, mas não são facilmente criadas.”
O problema está justamente em transformar um movimento político plural em culto à personalidade de um único líder. O bolsonarismo se torna nocivo quando tenta reduzir a direita a Jair Bolsonaro, amputando toda a riqueza do pensamento conservador de outros líderes.
Ser conservador não é gritar em rede social, nem pedir volta da ditadura, nem se agarrar desesperadamente à imagem de um político. Ser conservador é proteger instituições, formar jovens, criar partidos sólidos, investir em imprensa independente e compreender o Brasil real; e não o Brasil idealizado em bravatas.
O paradoxo da “liberdade de expressão”
É interessante observar como essas mesmas pessoas que gritam muito sobre liberdade de expressão, no entanto, não conseguem aceitar críticas e não suportam a exposição da verdade. Elas buscam liberdade apenas para falar, nunca para ouvir.
A democracia, no entanto, requer algo mais do que bravata: a democracia é sobre aceitar críticas, aprender com os erros, crescer. Aqueles que não suportam ser confrontados pela verdade não são democratas; são autoridades cuja reivindicação de liberdade é falsa e hipócrita.
O erro de Carlos Bolsonaro
Ao atacar governadores que despontam como presidenciáveis, Carlos tenta impor a ideia de que a direita é propriedade privada da família Bolsonaro. Isso é falso e perigoso. É inegável: Jair Bolsonaro é um ator central e líder na política recente. Mas ele não é, e nunca poderá ser a própria direita. O pensamento conservador é maior, mais antigo e mais profundo do que qualquer sobrenome.
A nova geração de lideranças precisa nascer independente, com projetos consistentes e identidade própria. O conservadorismo brasileiro não pode viver como refém da biografia de uma só família.
O futuro da direita
Com a saída de Bolsonaro da cena eleitoral, ao menos neste momento, abre-se a oportunidade para reconstruir uma direita madura, responsável e livre do personalismo tóxico.
A direita não pode ser plateia de desabafos raivosos de Carlos Bolsonaro. Precisa assumir sua vocação: formar quadros, disputar ideias, construir instituições sólidas e fazer política de verdade.
Há muito trabalho pela frente. Mas uma coisa é certa: esse trabalho não será feito enquanto alguns insistirem em sequestrar um projeto que nunca foi só deles e que é intrínseco a uma nação que anseia por mudanças concretas.



























