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    Atraso da Justiça travou ofensiva contra fraudes bilionárias no Banco Master

    Estratégia conjunta foi frustrada por decisões judiciais e obrigou investigações a avançarem de forma fragmentada
    Decisões judiciais impediram que autoridades executassem de forma simultânea duas operações planejadas para atingir diferentes frentes do esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo, que teve acesso a detalhes da apuração conduzida por investigadores federais.

    Segundo o relato, a intenção inicial era realizar ações coordenadas para desarticular, ao mesmo tempo, as diversas ramificações financeiras ligadas ao banco. A demora da Justiça, no entanto, comprometeu a estratégia e forçou o desmembramento das investigações.

    Primeira fase avançou diante do risco de vazamento


    A Operação Compliance Zero teve sua primeira fase deflagrada em 17 de novembro, resultando na prisão de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. No mesmo dia, o Banco Central do Brasil aprovou a liquidação da instituição, medida anunciada oficialmente em 18 de novembro, antes da abertura do mercado financeiro.

    As autoridades optaram por avançar com essa etapa diante do risco de prejuízo às apurações. A Polícia Federal já monitorava Vorcaro e havia identificado ao menos três tentativas do ex-banqueiro de deixar o país.

    Segunda frente ficou represada por entraves judiciais


    A outra parte da investigação mirava operações suspeitas envolvendo fundos de investimento da Reag, administrados por pessoas ligadas a Vorcaro. Esse pedido, encaminhado à Justiça Federal de São Paulo ainda em outubro do ano passado, não foi autorizado a tempo.

    Somente em 14 de janeiro, quase dois meses depois, a PF conseguiu deflagrar a segunda fase da operação. Segundo os autos, essa etapa buscou aprofundar a apuração sobre uma estrutura financeira paralela que antecedeu as fraudes relacionadas à venda de créditos consignados ao Banco de Brasília (BRB).

    Um investigador ouvido sob condição de anonimato resumiu o impasse: “o plano era fazer tudo junto pelas conexões entre os dois casos, mas a Justiça de São Paulo não deu autorização a tempo”.

    Fraudes estimadas em R$ 12,2 bilhões


    O Banco Central denunciou ao Ministério Público Federal a comercialização de carteiras de crédito consideradas falsas ao BRB. O MPF, por sua vez, encaminhou à Justiça de Brasília o pedido relacionado à primeira fase da operação. O valor estimado das fraudes chega a R$ 12,2 bilhões.

    As investigações detalharam um mecanismo financeiro envolvendo empresas e intermediários vinculados ao Banco Master e a Daniel Vorcaro. Esse sistema, segundo os investigadores, funcionava antes mesmo das operações de crédito consignado que levaram à liquidação do banco.

    Toffoli assume processos e impõe sigilo


    No intervalo entre as duas fases, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, decidiu, em 3 de dezembro, centralizar no STF todos os procedimentos envolvendo Vorcaro e o Banco Master. A medida ocorreu após pedido apresentado pela defesa do empresário em 28 de novembro.

    A solicitação ao Supremo foi motivada pela apreensão de um envelope com documentos de uma transação imobiliária relacionada ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA). Ao assumir o caso, Toffoli impôs sigilo máximo aos autos, restringindo o acesso às decisões e aos dados das partes.

    Críticas à PF e reação institucional


    Posteriormente, Toffoli autorizou a segunda fase da operação, mas criticou publicamente a Polícia Federal por atrasos no cumprimento dos mandados. O ministro cobrou explicações do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

    Rodrigues respondeu que o descumprimento de prazos decorreu de dificuldades operacionais e da necessidade de atualização dos endereços dos alvos. Apesar disso, Toffoli manteve o sigilo do processo e determinou que o material apreendido permanecesse sob custódia da Procuradoria-Geral da República, e não da PF, como ocorre normalmente.

    Após a divulgação do despacho, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, visitou a sede da Polícia Federal na noite de quarta-feira, 14, para demonstrar apoio ao diretor-geral. Ambos foram fotografados juntos durante o encontro.

    Prisão e situação atual de Vorcaro


    Na semana da primeira operação, Daniel Vorcaro tinha uma reunião agendada no Banco Central, mas antecipou o compromisso para o próprio dia 17 de novembro. Ele acabou preso naquela noite no aeroporto de Guarulhos, quando tentava deixar o país.

    Atualmente, o ex-banqueiro cumpre prisão domiciliar, sob monitoramento da Polícia Federal.

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