Por Marcelo Marreta
Rondonópolis (MT) — Enquanto a Coder afunda e os canhões da opinião pública disparam acusações de todos os lados, um personagem segue em silêncio absoluto: Argemiro Ferreira, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis e ex-capitão da reserva do Exército. Recluso, calado, e ao contrário do que muitos pensam calculando cada passo.
A falta de manifestações públicas, que muitos têm confundido com covardia ou omissão, parece na verdade parte de uma estratégia muito bem pensada. Argemiro não está fugindo. Está observando. E talvez guardando um arsenal de revelações que, se vier à tona, pode virar a política local de cabeça para baixo.
Porque se tem uma coisa que ninguém pode negar, é que ele sabe demais. Viveu o dia a dia da Coder por dentro, circulou nos corredores da Prefeitura, foi presença constante nas mesas onde se decidia o destino de obras, contratos, licitações e alianças. E o silêncio dele pode não ser medo. Pode ser acumulador de pressão, como uma panela que um dia pode explodir.
Argemiro não é amador. E sabe muito bem que cada palavra dita num momento de crise vira manchete, processo ou munição contra si mesmo. É por isso que escolheu o silêncio. Pura estratégia. Está sentado sobre informações que podem, no tempo certo, reescrever versões que hoje circulam como “verdades oficiais”.
Enquanto isso, os críticos se esbaldam. Disparam farpas, memes, acusações, certos de que ele não vai reagir, ou contando com uma reação errada. Mas se enganam. Porque a qualquer momento o ex-capitão, pode fazer o que mais assusta seus adversários: abrir a boca.
Se Argemiro falar, quem aguenta?
A pergunta que paira no ar é simples: e se ele resolver falar tudo?
Quem vai segurar a bomba? Quem vai negar as reuniões, os acordos, as orientações que ele recebeu e executou quando comandava a Coder?
A certeza, segundo uma fonte próxima, alguns dos que hoje o atacam com fúria já se sentaram à mesa com ele, trocaram mensagens, apertaram mãos. Querem que ele caia sozinho. Mas sabem, no fundo, que o buraco é mais embaixo. Ele já disse publicamente “cai atirando”, Argemiro talvez leve junto mais gente do que se imagina.
Por enquanto, ele observa. Como bom estrategista militar, analisa o campo de batalha. E se decidir agir, não será com bravatas, mas com dossiês, provas, memórias, mais uma revelação da fonte proxima a ele.
Em Rondonópolis, o silêncio de Argemiro já não é visto como fraqueza. É um aviso. O ex-presidente da Coder pode estar escrevendo seu próximo movimento com a tinta da paciência. E talvez, quando falar, não seja para se defender, mas para derrubar versões, desmascarar aliados de ocasião e expor os bastidores da política local.
E para quem conhece a guerra, sabe: o soldado mais perigoso é o que não dá tiro à toa.



























