Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso realizaram um novo ato, nesta sexta-feira (29), pedindo a expulsão de dois alunos investigados por fazerem uma lista que classificava colegas do campo como “estupráveis”. A manifestação foi organizada pelo movimento estudantil Movimento Correnteza, com apoio do Movimento de Mulheres Olga Benário, e percorreu as ruas ao entorno da universidade.
Ao g1, a representante do coletivo Olgá Benário, Rayssa Piovani, disse que o ato teve como principal objetivo pressionar a universidade pela expulsão dos estudantes envolvidos na criação de uma lista com nomes de alunas consideradas “estupráveis”. Ela afirmou que a mobilização também busca reforçar que casos de misoginia, assédio e violência contra as mulheres não podem ser tratados como “brincadeira” ou relativizados dentro da universidade.
“Isso não é uma coisa tolerável. A violência contra as mulheres está tão naturalizada na sociedade que, para muitas pessoas, isso foi só uma brincadeira de mau gosto, é só um comentário infeliz. E não é só isso”, afirmou a representante.
Para o coletivo, o caso reflete um problema estrutural da sociedade e está ligado à naturalização da violência contra as mulheres. Rayssa destacou que Mato Grosso lidera índices de feminicídio no país e que esse cenário também impacta o ambiente universitário. Ela relembra ainda o caso de Solange Aparecida Sobrinho, uma mulher de 52 anos que foi estuprada e morta dentro do campus da UFMT em 2025.
“Quando a gente vai perdoando, relativizando, naturalizando essas violências simbólicas, a gente abre um caminho cada vez mais largo para que isso se aprofunde e escale em níveis imensuráveis. A gente viu um exemplo disso ano passado na UFMT quando uma mulher foi encontrada morta no nosso campus. Isso diz muito sobre a estrutura da universidade, a segurança do campus e também a forma como a sociedade encara o corpo das mulheres”, relembrou a representante do coletivo.
Segundo ela, o movimento quer promover o debate sobre violência de gênero e cobrar medidas concretas da universidade para garantir segurança às estudantes. A representante também afirmou que a mobilização tem recebido apoio dos alunos e da própria reitoria da UFMT.
“A gente precisa dar uma resposta séria para as vítimas, para essas estudantes que foram mencionadas nessa lista, para o colega que foi ameaçado pelo pai de um dos alunos. […] A universidade precisa ter uma resposta mais consequente. […] A gente está muito cansado da resposta burocrática da instituição de abrir processo, que fica parado no sistema e que nunca tem encaminhamento, de denunciar e no outro dia vir para a universidade e conviver com a pessoa que cometeu a violência”, disse Rayssa.
























