CUIABÁ (MT) — O prefeito Abilio Brunini (PL) transformou uma entrevista coletiva em confusão pública na manhã desta terça-feira (10), ao citar de forma irresponsável o Instituto Lírios e acabar sendo confrontado, ao vivo, pela vereadora Maysa Leão. O episódio terminou em gritaria, ameaça de ação judicial e encerramento precoce da coletiva.
Segundo consta, Abilio mencionou o Instituto Lírios ao falar de repasses federais, afirmando que a entidade teria recebido cerca de R$ 4 milhões do Ministério da Agricultura. A fala caiu como uma bomba porque o instituto tem como presidente Muriel Torres, ligada politicamente à vereadora. Sem rodeios, Maysa interrompeu a coletiva e foi direta: chamou o prefeito de mentiroso e exigiu provas.
A vereadora questionou se havia qualquer acusação formal de ilegalidade. Perguntou, em alto e bom som, se havia improbidade contra ela, contra a presidente do instituto ou contra uma entidade com mais de uma década de atuação voltada à proteção de mulheres, inclusive no enfrentamento à violência doméstica. Abilio, acuado, recuou e tentou se justificar dizendo que “não acusou ninguém”, numa clara tentativa de apagar o incêndio depois de jogar gasolina.
Mesmo assim, o estrago já estava feito. Maysa anunciou que o prefeito será acionado judicialmente por ilações envolvendo recursos federais. Em vez de manter a postura institucional, Abilio preferiu a ironia barata e o deboche, perguntando se a vereadora “já tinha dado seu show”, atitude que só reforçou o clima de descontrole.
Como se não bastasse, o prefeito ainda resolveu misturar outro tema sensível, trazendo à tona um episódio envolvendo uma adolescente durante audiência pública anterior, levantando questionamentos sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. Mais uma vez, sem apresentar qualquer conclusão oficial, preferiu lançar dúvidas no ar, estratégia velha de quem fala muito e prova pouco.
A resposta veio na hora. Maysa acusou Abilio de violência política de gênero, enquanto assessores tentavam conter a confusão. O bate-boca durou cerca de dez minutos e terminou como começou: sem esclarecimentos concretos, com acusações soltas e a coletiva encerrada às pressas.
No fim das contas, ficou evidente o padrão. Abilio fala, insinua, provoca e depois tenta se esquivar dizendo que “não acusou”. Cuiabá assiste a um prefeito que prefere o palco do conflito ao dever básico de governar com responsabilidade, respeito e prova dos fatos. No estilo Marreta: barulho não é gestão, e ilação não é verdade.



























