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    Funcionária de lotérica que pediu demissão após bilhete de R$ 29 milhões da Mega-Sena não consegue emprego há 3 anos em MT

    Clarice Simon, investigada por suspeita de furtar um bilhete premiado da Mega-Sena de R$ 29 milhões em uma lotérica de Sinop, a 503 km de Cuiabá, afirma que não consegue um novo emprego desde que o sorteio foi realizado e o processo teve início em agosto de 2023. Segundo a defesa, a repercussão da investigação tem dificultado a recolocação dela no mercado de trabalho.

    O prêmio total, de R$ 116.232.513,11, foi dividido entre quatro apostas vencedoras: duas registradas em Sinop, uma em Fortaleza (CE) e outra em Uberaba (MG). Cada ganhador recebeu R$ 29.058.128,28. Segundo a defesa, o prêmio permanece bloqueado por decisão judicial.

    A investigação começou depois que Clarice pediu demissão da lotérica e informou que ela e o marido eram os ganhadores da aposta. Segundo a defesa, após descobrir que o bilhete premiado havia sido emitido por um erro de impressão, o proprietário do estabelecimento alegou que o comprovante pertencia à lotérica e, por isso, teria direito ao prêmio. Em seguida, registrou uma denúncia contra o casal.

    A ex-operadora contou que a situação financeira da família mudou desde o início da investigação. Segundo ela, apenas o marido está trabalhando atualmente, já que não consegue permanecer nos empregos por causa do processo judicial em andamento. Clarice chegou a dar entrada na retirada do prêmio, no entanto, a Justiça bloqueou o valor milionário até que decida a quem pertence o bilhete premiado.

    “Hoje só meu esposo trabalha. Todos os serviços que eu arrumo, acabo não ficando porque as pessoas começam a falar da situação que aconteceu, que eu estou sendo acusada de roubo, e acabo perdendo o emprego”, afirmou Clarice .
    Clarice também afirmou que a filha do casal precisa de acompanhamento médico porque nasceu com apenas um rim, o que aumentou as despesas da família. Ela disse que parte do tratamento é feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas que a médica responsável atende apenas na rede particular.

    Ao comentar os impactos da investigação, a ex-funcionária afirmou que desenvolveu depressão e perdeu 18 quilos desde o início do caso. Segundo ela, também deixou de atender ligações de números desconhecidos por medo de ameaças. Ela afirmou ainda que a principal dificuldade enfrentada pela família é manter o pagamento da casa financiada e conviver com o julgamento das pessoas.

    “Tenho fé em Deus que a Justiça vai ser feita porque eu não fiz nada de errado. […] A maior dificuldade é poder transitar na rua sem as pessoas estarem te julgando”, afirmou a ex-operadora.
    Segundo a defesa, a investigada nunca teve problemas no histórico profissional, mas deixou de conseguir emprego após o início da investigação.

    “A vida dela virou um inferno. Ela não tinha no histórico do trabalho dela nenhum problema e agora tem. O marido dela, que é caminhoneiro, está sustentando a casa pelos dois”, afirmou o advogado.

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