RONDONÓPOLIS (MT) — O número de animais abandonados tem mobilizado cada vez mais protetores independentes e organizações não governamentais em Rondonópolis. Enquanto os pedidos de resgate aumentam, quem está na linha de frente enfrenta uma rotina de dedicação, gastos elevados e superlotação dos abrigos, sustentados quase exclusivamente por doações.
Uma das maiores referências na causa é a protetora Rose, que há anos dedica a vida ao resgate de cães e gatos. Atualmente, a ONG mantida por ela ocupa uma área de quatro hectares e abriga cerca de 600 cães e 150 gatos, muitos deles vítimas de abandono, maus-tratos ou doenças.
Segundo Rose, o maior desafio é explicar à população que os abrigos têm limite.
“Às vezes as pessoas querem entregar um animal saudável porque vão mudar de cidade ou não querem mais cuidar. Mas o abrigo já está lotado e muitos animais chegam doentes”, relata.
Ela conta que a decisão de proteger os animais nasceu ainda na infância, depois de presenciar situações de maus-tratos. Desde então, transformou essa promessa em missão de vida.
Outra iniciativa que também enfrenta dificuldades é o Abrigo Por Animais Felizes. Criado por Mary e Bianca, o projeto começou de forma simples, após campanhas nas redes sociais para conseguir um terreno e materiais de construção. Hoje o espaço acolhe 41 animais e conta com aproximadamente 20 voluntários, que conciliam trabalho, família e os cuidados diários com os cães e gatos.
As voluntárias afirmam que os pedidos de ajuda não param de crescer. Muitas pessoas procuram as ONGs para entregar animais porque vão viajar, mudar de cidade ou não conseguem mais arcar com os custos dos cuidados.
De acordo com elas, a posse responsável continua sendo um dos maiores desafios. A adoção exige compromisso durante toda a vida do animal, evitando que ele acabe novamente nas ruas ou sobrecarregando os abrigos.
O Centro Integrado de Bem-Estar Animal (Cibea) acompanha essa realidade e destaca que o aumento das denúncias está relacionado ao maior envolvimento da população com a causa animal. O órgão atua em parceria com as ONGs oferecendo castrações, atendimento veterinário e outros serviços destinados principalmente aos animais em situação de rua e às famílias que não têm condições financeiras de custear tratamento veterinário.
Mesmo com esse apoio, os recursos ainda são insuficientes diante da demanda.
As entidades fazem um apelo por doações, principalmente de ração, medicamento e produtos de limpeza. Segundo as protetoras, alimentar centenas de animais todos os dias é o maior desafio financeiro enfrentado pelos abrigos.
Apesar das dificuldades, elas garantem que cada adoção representa uma vitória.
“Não conseguimos salvar todos os animais do mundo, mas conseguimos mudar a vida de muitos deles”, resumem as voluntárias, que seguem transformando abandono em esperança todos os dias.
























