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    GUERRA CONTRA A FÉ? DOCUMENTOS MOSTRAM QUE SISPMUR QUESTIONOU ORAÇÕES, ENQUANTO EX-PRESIDENTE TENTA JOGAR CULPA NA IMPRENSA

    RONDONÓPOLIS (MT) — A polêmica envolvendo o SISPMUR, a Fé e a Secretaria Municipal de Promoção e Assistência Social ganhou um novo capítulo após a ex-presidente do sindicato, Geane Lina Telles, divulgar vídeo tentando afastar a discussão sobre práticas religiosas dentro do CRAS Padre Lothar e concentrar o debate exclusivamente na suposta perseguição sofrida por uma servidora.

    O problema é que os próprios documentos protocolados pelo sindicato contam uma história diferente.

    Na representação encaminhada ao Ministério Público Estadual, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Rondonópolis questiona diretamente a realização de momentos de oração e reflexão dentro da unidade pública, levantando discussões sobre laicidade do Estado, possível constrangimento institucional, violação de princípios da administração pública e até eventual improbidade administrativa.

    Ou seja, ao contrário do que agora tenta sustentar a ex-presidente da entidade, a questão religiosa não surgiu por acaso nem foi inventada por veículos de comunicação. Ela está expressamente registrada na representação apresentada pelo próprio sindicato.

    Segundo os documentos, um servidor teria se sentido incomodado com os momentos de oração realizados no ambiente de trabalho. A partir disso, o SISPMUR pediu apuração sobre a legalidade das práticas e também levantou suspeitas de que uma servidora teria sido transferida após manifestar posicionamento contrário às atividades.

    O procedimento acabou chegando ao Ministério Público e posteriormente ao Ministério Público do Trabalho, que instaurou inquérito para apurar possíveis situações de assédio psicológico, abuso do poder diretivo e eventual retaliação funcional.

    Em vídeo divulgado nas redes sociais, Geane Lina afirma que o foco da investigação não seria a religião, mas sim a suposta perseguição sofrida pela servidora após exercer seu direito de manifestação. A ex-presidente também criticou reportagens que destacaram a discussão envolvendo as orações e acusou parte da imprensa de ser tendenciosa.

    Ocorre que a própria documentação protocolada pelo sindicato cita diversas vezes os momentos de oração e reflexão como elemento central da controvérsia.

    Outro ponto que chama atenção é que os próprios autos mencionam que as orações aconteciam antes do início do expediente e sem obrigatoriedade de participação dos servidores.

    A Constituição Federal determina que o Estado é laico. Isso significa que a administração pública não pode adotar uma religião oficial. Por outro lado, a mesma Constituição garante liberdade religiosa, liberdade de consciência e liberdade de expressão aos cidadãos.

    É justamente nesse ponto que o debate se torna mais complexo. Afinal, uma oração voluntária realizada antes do expediente configura violação da laicidade estatal ou exercício legítimo da liberdade religiosa?

    Outro detalhe frequentemente ignorado no debate é que transferências de servidores são atos administrativos comuns dentro da gestão pública. Mudanças de lotação acontecem rotineiramente por necessidade do serviço, reorganização interna ou critérios técnicos. Até agora, não foi apresentada prova pública capaz de demonstrar que a transferência ocorreu exclusivamente por causa da discordância em relação às orações.

    Enquanto o Ministério Público e o Ministério Público do Trabalho analisam o caso, o que se vê é uma tentativa de transformar uma discussão legítima sobre liberdade religiosa e ambiente de trabalho em uma narrativa fechada, antes mesmo da conclusão das investigações.

    A verdade é simples: foi o próprio SISPMUR que levou ao Ministério Público questionamentos sobre práticas religiosas dentro de uma repartição pública. Agora, diante da repercussão, tenta convencer a opinião pública de que a religião nunca esteve no centro da discussão.

    Os documentos mostram o contrário.

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