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    Justiça afasta 22 policiais penais de 5 presídios por suspeita de tortura contra detentos em MT

    O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Orlando de Almeida Perri, determinou o afastamento de 22 policiais penais investigados por suspeitas de tortura, maus-tratos e abuso de autoridade em unidades prisionais de Mato Grosso. A decisão foi assinada nesta quarta-feira (20), no âmbito de um habeas corpus coletivo que apura violações contra presos no sistema penitenciário estadual.

    Segundo a decisão, os agentes atuavam nas cadeias públicas de Araputanga, Cáceres e Mirassol d’Oeste. Eles deverão ser retirados das unidades e transferidos para funções administrativas, sem contato direto com presos.

    A investigação começou após inspeções realizadas pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (GMF/MT), entre os dias 2 e 4 de março deste ano.

    Os relatórios apontaram denúncias de agressões físicas, uso excessivo de spray de pimenta e gás lacrimogêneo em celas fechadas, além de punições consideradas degradantes e represálias contra presos que denunciaram os casos.

    Na decisão, o magistrado afirmou que há “grau suficiente de plausibilidade” nas denúncias apresentadas pelos detentos. Segundo ele, a permanência dos policiais nas unidades pode intimidar vítimas e testemunhas, além de prejudicar as investigações.

    O desembargador também determinou a abertura de inquéritos policiais para apurar possíveis crimes de tortura, maus-tratos e abuso de autoridade cometidos pelos agentes.

    As investigações serão conduzidas pela Polícia Civil de Mato Grosso.

    Entenda o caso

    Cela com superlotação no presídio de Alto Araguaia, em Mato Grosso — Foto: Reprodução
    Cela com superlotação no presídio de Alto Araguaia, em Mato Grosso — Foto: Reprodução

    Conforme a decisão, presos relataram uma série de supostos abusos:

    • uso de spray de pimenta nos olhos;
    • aplicação de gás lacrimogêneo em celas fechadas;
    • nudez forçada;
    • tapas e ameaças;
    • imposição de raspagem de cabelo e barba sob pena de isolamento;
    • disparos de balas de borracha dentro das celas.
    Ferimentos causados em detentos, conforme relatório de inspeção — Foto: Reprodução
    Ferimentos causados em detentos, conforme relatório de inspeção — Foto: Reprodução

    Em fevereiro, a Justiça determinou o afastamento de 14 policiais penais envolvidos em suposta tortura aos reeducandos da Penitenciária Dr. Osvaldo Florentino Leite Ferreira, conhecida como Ferrugem, em Sinop. À época, o juiz também estabeleceu a exumação do corpo do reeducando Walmir Paulo Brackmann, que morreu depois de inalar um spray de pimenta disparado na penitenciária.

    Dessa vez, ao menos 23 servidores foram mencionados nos relatos: nove na cadeia pública de Araputanga, 11 na unidade masculina de Cáceres e três em Mirassol D’Oeste.

    No documento, o desembargador afirma que as condutas descritas extrapolam o campo administrativo. Com isso, foi determinada a identificação completa dos envolvidos e a instauração de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) no prazo de até 48 horas após a intimação.

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