MATO GROSSO (MT) — O governo decidiu mexer onde não dá pra errar. Durante entrevista à Rádio Capital na manhã desta quinta-feira (16), o vice-governador Otaviano Pivetta confirmou, sem rodeio, que o Samu vai sair de cena e o atendimento de urgência e emergência passará a ser feito pelo Corpo de Bombeiros.
Segundo ele, está decidido.
A justificativa é velha conhecida: cortar custo e enxugar a máquina. Na prática, o governo quer trocar um serviço especializado por outro modelo, apostando que vai funcionar do mesmo jeito.
“O Corpo de Bombeiros vai suprir esse trabalho. Isso já está decidido”, cravou durante a entrevista.
Só que a história não é tão simples.
O Samu não é só ambulância. É equipe médica treinada pra agir em segundos, com protocolo, técnica e foco em salvar vida. Mexer nisso não é trocar lâmpada, é mexer no coração do atendimento.
E o alerta já veio de dentro da própria base.
O deputado estadual Doutor João, que preside a Comissão de Saúde, foi direto: tem que tomar cuidado com essa tal de “militarização”. Segundo ele, não se trata de ser contra Bombeiros, mas de não desmontar algo que funciona.
“Não é o momento de mexer no que está dando certo”, disse.
Nos bastidores, o clima já vinha pesado. Recentemente, 56 profissionais do Samu foram mandados embora sem aviso prévio, o que gerou protesto na Assembleia.
Agora, com a decisão confirmada, fica a pergunta que ninguém respondeu ainda: como vai funcionar na prática?
Não tem prazo, não tem plano detalhado e não tem explicação de como será feita a transição.
No papel, parece economia.
Na rua, pode ser outra história.
Porque quando o assunto é emergência, não existe segunda chance.



























