GUARULHOS (SP) — Um susto no ar virou caos no chão. Depois que um avião da Delta teve explosão no motor logo após a decolagem e precisou retornar ao Aeroporto Internacional de São Paulo, o efeito dominó atingiu em cheio quem nem estava naquele voo, no final da noite de domingo (30).
A aeronave, que seguia para Atlanta com 272 passageiros e 14 tripulantes, apresentou falha segundos após sair da pista. Houve explosão no motor esquerdo, material caiu na área próxima e até incêndio foi registrado no entorno. O piloto agiu rápido e conseguiu pousar sem feridos.
Até aí, tensão controlada.
O problema começou depois.
Com o aeroporto impactado, voos foram cancelados e passageiros ficaram presos no meio do caminho. Entre eles, clientes da Gol, incluindo o voo 1468 com destino a Cuiabá.
E foi nesse momento que o cenário saiu do controle.
Segundo relatos, passageiros de pelo menos três voos da Gol tiveram que desembarcar e se depararam com um verdadeiro colapso no atendimento. Filas gigantes, gente em pé por horas e nenhuma estrutura mínima para segurar a situação.
Teve idoso, criança de colo e gente esperando mais de cinco horas em uma fila, sem qualquer assistência adequada ou local para descanso. Isso apenas para saber como seriam reacomodados.
No saguão, o clima era de revolta.
Segundo consta, a equipe da companhia aérea em solo não conseguiu dar resposta à altura da situação. Faltou organização, faltou informação e sobrou desgaste para quem já vinha de viagem.
E não parou por aí.
A reacomodação feita pela Gol virou outro problema. Segundo relatos, o processo foi desorganizado, lento e sem critério claro. Passageiros ficaram horas sem informação concreta, sem saber quando iriam embarcar novamente ou sequer se tinham voo garantido.
Teve gente que precisou insistir várias vezes no atendimento para conseguir uma nova passagem, enquanto outros simplesmente ficaram aguardando sem resposta.
Na prática, o que era pra ser solução virou mais dor de cabeça.
O reflexo foi direto: alguns passageiros só conseguiram chegar ao destino final, como Cuiabá, quase 24 horas depois do horário previsto.
Uma viagem que era pra durar poucas horas virou praticamente um dia inteiro de desgaste.
Importante: o problema inicial não foi causado pela Gol. Mas o que veio depois, isso sim, está na conta da empresa.
Porque em situação de crise, o mínimo esperado é organização, informação e respeito com o passageiro.
E, segundo os relatos, foi exatamente isso que faltou.
Agora, o que se desenha é outra fila. Dessa vez, na Justiça. A expectativa é de uma avalanche de ações por danos morais e materiais, diante do que muitos classificaram como tratamento desumano.



























