ALTO GARÇAS (MT) — Enquanto parte da população enfrenta fila no posto de saúde e espera meses por atendimento, decisões recentes envolvendo dinheiro público começaram a levantar questionamentos na cidade.
De um lado, a Câmara Municipal aprovou um auxílio de até R$ 1 mil por mês para vereadores e servidores utilizarem em saúde suplementar. O benefício foi regulamentado após criação por lei municipal e permite reembolso de despesas com plano de saúde, consultas, exames, medicamentos e até gastos com academia, desde que comprovados.
O impacto previsto no orçamento chega a R$ 228 mil em 2026 e R$ 239,4 mil em 2027.
Pelo texto aprovado, o valor pode ser pago parcialmente ou integralmente, em percentuais de 50%, 70% ou 80%, conforme solicitação do beneficiário. A prestação de contas deve ocorrer até 31 de janeiro do ano seguinte, com apresentação de notas fiscais e comprovantes. Caso o valor recebido seja maior que o gasto comprovado, a diferença precisa ser devolvida.
Legalmente, o benefício está respaldado em lei e deverá passar por fiscalização do Tribunal de Contas do Estado.
Academia para uns, rifa para outros
A discussão, no entanto, ganhou outro tom quando a realidade nas escolas municipais entrou na conversa.
Segundo relatos de moradores e professores, educadoras estariam promovendo rifas para conseguir comprar pequenas lembranças de Páscoa para os alunos, diante da falta de recursos para esse tipo de atividade.

comparação nas redes sociais foi imediata: enquanto professores se viram para arrecadar valores modestos para as crianças, vereadores e servidores da Câmara passam a ter direito a um auxílio mensal que pode ser usado inclusive para frequentar academia.
Outro ponto que passou a circular no debate público é a autorização dada ao Poder Executivo para firmar parceria com a Associação Expedição do Rio das Garças (AERG).
A lei municipal permite que o município celebre acordos ou termos de fomento com a entidade, podendo inclusive envolver repasse de recursos públicos para projetos considerados de interesse social.

A norma estabelece que a parceria deve seguir critérios como apresentação de plano de trabalho, metas e cronograma de execução, além de observar princípios da administração pública como legalidade e transparência.
Nos bastidores da cidade, porém, o tema também gerou comentários. Há quem critique a possibilidade de destinação de recursos públicos para eventos ligados à tradicional expedição no rio, encontro que reúne empresários e participantes da região.
Do ponto de vista jurídico, tanto o auxílio criado pela Câmara quanto a autorização de parceria prevista em lei estão dentro dos mecanismos legais da administração pública.
A discussão que cresce nas ruas e nas redes, porém, é outra: a ordem de prioridades.
Enquanto vereadores podem receber auxílio para despesas com saúde e academia, professores organizam rifas para garantir uma lembrança de Páscoa às crianças da rede municipal.
Agora a pergunta que circula em Alto Garças é simples: essas são realmente as prioridades da cidade?



























