RONDONÓPOLIS (MT) — Mesmo com nomes locais fortes na disputa, as eleições de 2022 mostraram que Rondonópolis exportou votos para deputados estaduais de outras regiões de Mato Grosso. Levantamento com base em recortes públicos da apuração eleitoral aponta que ao menos 20 candidatos considerados “de fora” tiveram votação expressiva na cidade, superando a casa de centenas e, em alguns casos, milhares de votos.
No topo da lista aparecem Lúdio Cabral (PT) e Janaína Riva (MDB), ambos com base política em Cuiabá e outras regiões do estado, que somaram mais de 2 mil votos cada em Rondonópolis.
Na sequência, surgem nomes como Max Russi (PSB), Professor Henrique Lopes (PT), Valdir Barranco (PT), Alex Sandro (Republicanos) e Rafael Ranalli (PL), todos sem origem política no município, mas com desempenho relevante nas urnas locais.
Segundo consta nos dados analisados, a maior parte desses votos foi direcionada a parlamentares com mandato vigente, estrutura partidária estadual ou alta exposição política, especialmente da capital. O resultado evidencia um fenômeno recorrente: parte significativa do eleitorado rondonopolitano opta por nomes de fora, mesmo quando há candidatos locais competitivos.
A lista dos 20 mais votados “de fora” inclui ainda Gilberto Cattani (PL), Diego Guimarães (Republicanos), Elizeu Nascimento (PL), Carlos Avalone (PSDB), Wilson Santos (PSD), Júlio Campos (União), Eduardo Botelho (União), Dr. Eugênio (PSB), Faissal Calil (Cidadania), Allan Kardec (PSB), Dilmar Dal Bosco (União), Paulo Araújo (PP) e Valmir Moretto (Republicanos).
| Pos. | Candidato | Partido | Base política | Votos em Rondonópolis* |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Lúdio Cabral | PT | Cuiabá | 2.192 |
| 2 | Janaína Riva | MDB | Cuiabá / Juara | 2.010 |
| 3 | Max Russi | PSB | Vale do São Lourenço | 1.285 |
| 4 | Prof. Henrique Lopes | PT | Cuiabá | 1.129 |
| 5 | Valdir Barranco | PT | Cuiabá | 1.109 |
| 6 | Alex Sandro | Republicanos | Cuiabá | 1.069 |
| 7 | Rafael Ranalli | PL | Cuiabá | 1.043 |
| 8 | Gilberto Cattani | PL | Alta Floresta | +900 |
| 9 | Diego Guimarães | Republicanos | Cuiabá | +900 |
| 10 | Elizeu Nascimento | PL | Tangará da Serra | +800 |
| 11 | Carlos Avalone | PSDB | Cuiabá | +800 |
| 12 | Wilson Santos | PSD | Cuiabá | +700 |
| 13 | Júlio Campos | União | Várzea Grande | +600 |
| 14 | Eduardo Botelho | União | Cuiabá | +600 |
| 15 | Dr. Eugênio | PSB | Água Boa | +600 |
| 16 | Faissal Calil | Cidadania | Cuiabá | +500 |
| 17 | Allan Kardec | PSB | Cuiabá | +500 |
| 18 | Dilmar Dal Bosco | União | Sinop | +500 |
| 19 | Paulo Araújo | PP | Cuiabá | +500 |
| 20 | Valmir Moretto | Republicanos | Oeste de MT | +500 |
O dado chama atenção porque ajuda a explicar uma queixa recorrente nos bastidores políticos locais: nem sempre o volume de votos se converte em presença, atuação direta ou retorno em emendas para o município. Quando o mandato está distante, a prioridade costuma seguir outras bases eleitorais.
Com a eleição de 2026 no horizonte, o ranking reacende o debate sobre representatividade real, compromisso com a cidade e o peso do voto rondonopolitano nas decisões da Assembleia Legislativa.
A pergunta que fica é simples e incômoda: quem levou voto daqui, voltou para cá depois da eleição?



























