RONDONÓPOLIS (MT) – Estar vivo no trânsito de Rondonópolis virou quase um ato de resistência. Uma realidade cruel, que coloca o município entre os mais letais de Mato Grosso, levou a gestão municipal a iniciar nesta semana uma campanha de conscientização e combate direto à imprudência nas ruas e avenidas da cidade.

A proposta foge do discurso genérico. A campanha apresentada pela Prefeitura de Rondonópolis aposta em personagens reais: familiares de vítimas que perderam suas vidas em acidentes que chocaram a cidade. O objetivo é simples e incômodo ao mesmo tempo: lembrar que estatísticas não enterram filhos, pais e mães. Pessoas enterram pessoas.
O prefeito Cláudio Ferreira foi direto, sem rodeios e sem floreio político. “O trânsito em Rondonópolis está matando mais que o crime organizado. A sociedade tem que discutir isso. Não dá mais para conviver com essa selvageria. São adolescentes, pais de família, jovens e trabalhadores perdendo a vida”, afirmou.
Segundo o gestor, não existe solução milagrosa nem decreto que substitua responsabilidade individual. “A nossa gestão está comprometida em acabar com esse escândalo, mas o trânsito é construído pela atitude de cada cidadão. Por isso estamos investindo pesado nessa campanha de conscientização”, reforçou.
A ação é propositalmente impactante. Está sendo veiculada em TVs, rádios, internet, outdoors e outros meios, sempre trazendo histórias reais, com rostos, nomes e locais onde as tragédias aconteceram. Não é ficção. Não é encenação. É o que acontece diariamente nas ruas da cidade.
O chefe do Gabinete de Comunicação Social, Clayton Rezende, explica que a ideia não é explorar a dor. “Não queremos sensacionalismo. Queremos que as pessoas entendam que os números de acidentes não são frios. Cada caso tem uma história, uma família destruída. E isso pode acontecer com qualquer um”, destacou.
Além da conscientização, o município também afirma estar agindo na estrutura: mudanças viárias, reforço da sinalização horizontal e vertical e, a partir de um Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público de Mato Grosso, intensificação da fiscalização no trânsito.
O recado é claro, curto e indigesto para quem insiste em acelerar, beber e dirigir ou tratar regras como sugestão: ou Rondonópolis muda sua cultura no trânsito, ou continuará enterrando vítimas enquanto alguns fingem que o problema só acontece com os outros.



























