RONDONÓPOLIS (MT) – Enquanto muita gente sua pra manobrar um carro no centro, Karen Vaz, 34, conduz sozinha uma locomotiva de 138 vagões por quase 200 km até Alto Araguaia. Quando troca de turno, entrega o trem para a substituta… que normalmente é a própria mãe, Alzinedi, 54. Família sincronizada no trilho.
As duas fazem parte das 45 mulheres maquinistas da Rumo, número que explodiu depois de 2022, quando eram só duas. O trabalho exige nove meses de formação, domínio de simulador, leitura de gráficos e decisões rápidas, mesmo com piloto automático.
A rotina é dura: turnos de oito horas, longas viagens e solidão completa na cabine. Para Alzinedi, isso é “liberdade”. Para Karen, é superação: ela chegou a perder 75% da capacidade de um pulmão após um derrame pericárdico na pandemia.
A Rumo promete facilitar escalas e quer formar 600 novos maquinistas até 2030. E a linhagem deve continuar: o marido de Karen também é maquinista, e a filha de 15 anos já planeja assumir a cabine.
(Redação com Folha SP)



























