RONDONÓPOLIS (MT) – A fiscalização ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA) intensificou as ações na margem esquerda e direita do Córrego Pitaluga, no Grande Alfredo de Castro, após constatar novas ocupações irregulares em Área de Preservação Permanente (APP).
Segundo consta, moradores vêm cercando trechos protegidos e realizando diversos tipos de plantio, como mandioca, banana, mamão e batata, alterando o uso do solo e ampliando o dano ambiental.
Durante as inspeções, fiscais relataram dificuldades para identificar os responsáveis. De acordo com a SEMMA, há um movimento deliberado de moradores em ocultar quem está por trás das intervenções, dificultando autuações e responsabilizações.

Diante desse cenário, a secretaria notificou oficialmente a Associação de Moradores da região, solicitando ampla divulgação para impedir novas ocupações e orientar os atuais ocupantes a desocuparem e permitir a recuperação ambiental.
Paralelo às ações administrativas, uma pessoa conhecida da pasta e das forças de segurança voltou a ser citado como um dos principais incentivadores das ocupações irregulares. Ele é identificado como liderança de um grupo denominado “Anjos da Floresta”, que teria estimulado a expansão de roçados e cercamentos ao longo do Pitaluga.

O histórico do suspeito um líder religioso ( pastor), chama atenção. Documentos da Polícia Militar registram que, no ano passado, ele esteve na sede da SEMMA e acabou detido após ameaçar uma servidora durante discussão relacionada justamente a ocupações ambientais. Segundo o boletim de ocorrência, ele foi autuado por ameaça, desacato, resistência e desobediência, chegando a afirmar que teria proteção de facção criminosa da região e que a fiscalização não teria “peito de aço” para enfrentá-lo.
Atualmente, conforme relatos, o líder religioso (pastor) encontra-se em “local incerto e não sabido”, o que tem dificultado sua notificação formal. A SEMMA afirma que continuará as ações de fiscalização e que novas medidas podem ser tomadas caso o avanço das ocupações persista.
As margens do Córrego Pitaluga, já fragilizadas por anos de pressão urbana, continuam sendo tratadas como áreas suscetíveis à degradação. Especialistas alertam que a supressão de vegetação nativa em APP aumenta o risco de erosão, assoreamento e contaminação da água, afetando diretamente a qualidade ambiental de todo o entorno.
Enquanto a Prefeitura tenta conter o avanço das ocupações, o caso acende mais uma vez o debate sobre proteção ambiental, regularização fundiária e a necessidade de responsabilização de incentivadores e executores de intervenções ilegais. O órgão ambiental reforça que seguirá monitorando a região e encaminhará novas ocorrências ao Ministério Público caso haja continuidade das atividades clandestinas.



























