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    PF aponta que Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, recebia propina de R$ 250 mil mensais em esquema

    Alessandro Stefanutto, ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), foi preso nesta quinta-feira (13), em nova fase da operação Sem Desconto, que investiga esquema bilionário de descontos associativos irregulares em aposentadorias e pensões.

    Segundo informou a Polícia Federal (PF), Stefanutto recebia R$ 250 mil mensais de propina em esquema de descontos ilegais de aposentadorias. Na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), há indícios de que o ex-presidente do INSS exerceu papel de facilitador institucional do grupo criminoso dentro do instituto.

    “Ele utilizou sua influência na alta administração pública para garantir a continuidade da fraude em massa, que gerou R$ 708 milhões em receita ilícita, confirmando sua posição como uma das principais engrenagens da organização criminosa”, disse a PF.
    Stefanutto recebia o valor proveniente da organização criminosa responsável por fraudar descontos em folha de pagamento de aposentados e pensionistas, por intermédio da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).

    A PF também explicitou que a propina foi paga por meio de empresas e até de uma pizzaria. Ao todo, estima-se que mais de R$ 640 milhões foram desviados entre 2017 e 2023 só via Conafer.

    Ele foi demitido do cargo em abril, logo após primeira fase da força-tarefa da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) revelar escândalo.

    “Em síntese, sua conduta viabilizou juridicamente o esquema fraudulento, conferindo aparência de legalidade a operações ilícitas, mediante o uso da posição pública de destaque que ocupava no INSS”, diz a decisão do STF.

    As investigações indicam que Stefanutto:

    • Avaliava e aprovava a manutenção dos convênios entre o INSS e a CONAFER, mesmo após alertas técnicos sobre inconsistências nas listas de filiados e indícios de falsificação de autorizações de desconto;
    • Autorizava o processamento de cadastros de filiação encaminhados pela CONAFER, sem observância dos critérios legais e sem checagem da manifestação de vontade dos beneficiários;
    • Recebia pagamentos mensais provenientes de empresas vinculadas ao operador financeiro (Cícero Marcelino de Souza Santos), disfarçados como honorários de consultoria ou assessoria técnica;
    • Utilizava influência institucional para manter a execução dos atos criminosos.

    Seis pessoas foram presas até o momento, incluindo o ex-chefe da autarquia previdenciária. Ahmed Mohamad Oliveira, ex-ministro da Previdência Social no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) estão entre alvos de buscas.

    Veja alguns dos alvos de nova fase da operação Sem Desconto:

    Prisão

    • Alessandro Stefanuttoex-presidente do INSS no governo Lula (PT);
    • Antônio Carlos Antunes Camilo, o “Careca do INSS”, que já estava preso;
    • Três pessoas ligadas à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer);
    • Uma pessoa ligada ao Instituto Terra e Trabalho (ITT).

    Buscas

    • Ahmed Mohamad Oliveiraex-ministro da Previdência Social no governo Bolsonaro (PL);
    • Euclydes Pettersen (Republicanos-MG)deputado federal.

    Em nota, defesa de Stefanutto afirmou que prisão é “completamente ilegal” e disse que ele tem colaborado com investigações e que “comprovará a inocência ao final dos procedimentos relacionados ao caso”. Leia:

    NOTA À IMPRENSA

    A defesa do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, vem a público esclarecer que:

    • Não teve acesso ao teor da decisão que decretou a prisão dele;
    • Trata-se de uma prisão completamente ilegal, uma vez que Stefanutto não tem causado nenhum tipo de embaraço à apuração, colaborando desde o início com o trabalho de investigação;
    • Irá buscar as informações que fundamentaram o decreto para tomar as providências necessárias;
    • Segue confiante, diante dos fatos, de que comprovará a inocência dele ao final dos procedimentos relacionados ao caso.”

    Também em comunicado, o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) negou “qualquer vínculo” com INSS, bem como dirigentes ou decisões da autarquia. Leia:

    “Recebo a ação com serenidade e respeito às instituições.

    Reitero que nunca tive qualquer vínculo com o INSS, seus dirigentes ou decisões administrativas.

    Sobre a CONAFER, reafirmo o que já disse em plenário: não tenho relação ilícita com a entidade e nunca participei de sua gestão.

    Defendo investigações rigorosas e confio plenamente na Polícia Federal, no MPF e no STF.

    Estou à disposição para todos os esclarecimentos e certo de que a verdade prevalecerá.

    Dep. Euclydes Pettersen”

    A etapa de hoje da Sem Desconto foi deflagrada para cumprimento de 73 mandados, sendo 10 de prisão preventiva e 63 de busca e apreensão, em 14 estados e no DF: Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

    Stefanutto compareceu à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS em outubro e disse ter tomado providências para interromper descontos associativos não autorizados.

    Quem é Stefanutto?
    Stefanutto assumiu presidência do INSS em julho de 2023, nomeado pelo então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, e ficou até abril de 2025. Caiu depois de a operação Sem Desconto tornar público o esquema bilionário de fraudes que lesou aposentados e pensionistas. Lupi pediu demissão no começo de maio.

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