RONDONÓPOLIS (MT) – O tabuleiro político deu uma balançada, e não foi leve. Ao confirmar sua pré-candidatura a deputado federal, o vice-prefeito Dr. Altemar Lopes (Podemos) colocou Rondonópolis no centro de uma equação jurídica e política que pode custar caro: para concorrer ao Congresso, ele não pode assumir a Prefeitura nos seis meses que antecedem a eleição. E se assumir, mesmo que por um único dia, a legislação é clara, terá de renunciar ao cargo de vice-prefeito.
Nada disso é especulação. Está na Lei Complementar nº 64/1990, art. 1º, §2º: vice que substituir ou suceder o titular nos seis meses anteriores ao pleito perde o direito de concorrer.
Ou seja: se o prefeito estiver em viagem, licença, afastamento, férias ou qualquer tropeço administrativo nesse período, Altemar fica diante de duas portas; renúncia e segue candidato, ou mantém o cargo e deixa o sonho de Brasília para depois.
Esse detalhe jurídico, quase sempre ignorado nas conversas de bastidores, virou sombra obrigatória na pré-campanha recém-lançada.
Altemar apresentou sua pré-candidatura com discurso robusto: Rondonópolis tem tamanho econômico, população crescente, peso regional.
“Precisamos de mais representatividade. Rondonópolis contribui demais com Mato Grosso e com o Brasil e precisa ampliar o número de representantes na câmara federal.”, argumentou.
Belo discurso, mas agora ele precisa conviver com o cronômetro jurídico.
Nos bastidores, Altemar também lançou o balão de ensaio da dobradinha com a primeira-dama Alessandra Ferreira, caso ela dispute vaga na Assembleia em 2026. Ele torce para vê-la candidata pelo Podemos, alinhando palanques e somando bases.
Mas toda articulação passa pela mesma encruzilhada: quem segura a cadeira da Prefeitura quando a campanha apertar?
A trajetória de Altemar é conhecida: neurocirurgião, pastor evangélico, figura respeitada pela comunidade médica e religiosa. Atua em três frentes de saúde pública e mantém vínculos fortes com apoiadores ligados à ética, gestão e representatividade.
Mas a eleição não perdoa distrações.
Se quiser ir para Brasília, ele precisa manter distância absoluta da cadeira de prefeito nos seis meses decisivos. E isso joga luz sobre uma questão; Cláudio Ferreira pretende se ausentar no período eleitoral? Haverá risco de substituição?
A lei é técnica, fria e definitiva: vice que vira prefeito nos seis meses antes da eleição não disputa mais nada.



























