A Polícia Civil de Mato Grosso cumpriu nesta quarta-feira (10) a segunda fase da Operação Poço Sem Fundo, que investiga um esquema de corrupção na Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat). Ao todo, foram cumpridos 13 mandados judiciais, incluindo bloqueio bancário de R$ 22 milhões, sequestro de imóveis e veículos, além de medidas restritivas contra investigados.
Ao g1, a Metamat informou que tem conhecimento das novas fases da operação e destacou ainda que a denúncia das irregularidades partiu do próprio Governo do Estado. Questionada sobre as medidas administrativas adotadas em relação aos servidores citados na investigação, a Metamat afirmou que todas as determinações judiciais foram cumpridas.
Em relação à revisão dos contratos firmados entre 2020 e 2023 para perfuração de poços artesianos, período em que os desvios teriam ocorrido, a companhia respondeu que esses contratos são de responsabilidade da própria Metamat.
Entre as ordens expedidas pela Justiça estão um mandado de busca e apreensão, um de medidas cautelares diversas da prisão, oito sequestros de imóveis, dois de veículos, e o bloqueio de valores nas contas dos alvos da operação.
As medidas também impõem restrições aos investigados, como a proibição de acessar as dependências da Metamat, manter contato entre si, deixar a comarca sem autorização judicial, além da obrigatoriedade de entrega do passaporte e comparecimento mensal à Justiça.
Segundo a Polícia Civil, o material apreendido nesta fase será analisado e pode gerar novas diligências no inquérito, que apura crimes como peculato, fraude em contratos públicos, falsidade ideológica agravada, contratação irregular, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
As investigações são conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR) e começaram a partir de uma denúncia formal do Governo do Estado. Desde 2020, conforme a investigação, uma organização criminosa atuava dentro da Metamat com o objetivo de fraudar contratos para a perfuração de poços artesianos em comunidades rurais.
Três auditorias da Controladoria Geral do Estado (CGE) apontaram um desvio de mais de R$ 22 milhões entre os anos de 2021 e 2023.
O nome “Poço Sem Fundo” faz referência à expressão popular que descreve algo sem fim, simbolizando a evasão contínua de recursos públicos por meio de contratos fraudulentos relacionados à perfuração de poços em áreas rurais.



























