Rondonópolis (MT) – O clima era de tensão, indignação e dor na noite desta segunda-feira (7), quando o prefeito Cláudio Ferreira (PL) oficializou o anúncio de que pretende fechar a Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (CODER).
Em meio à revolta de servidores e vaias que ecoaram por todo o prédio da autarquia, um momento rompeu o barulho e ganhou repercussão nas redes sociais: o desabafo emocionado de uma servidora com mais de 10 anos de casa, que fez um apelo direto ao chefe do Executivo.
Em sua fala, carregada de choro, angústia e verdade, a trabalhadora lembrou a luta que foi conquistar o emprego por concurso público, apontou o abandono de gestões passadas e criticou a proposta do prefeito de substituir a CODER por uma cooperativa.
“Prefeito, nós estamos aqui esperando sua visita. Ninguém veio te desmoralizar. Estamos aqui pelas mães e pais de família! Isso aqui não é justo! São dez anos da minha vida! Passamos por luta para conseguir esse concurso. Não foi de graça! E agora o que estão fazendo com a gente?”, declarou, com a voz embargada.
Ela ainda questionou a falta de ações diante da crise que, segundo Cláudio, foi herdada de administrações anteriores. “Sabiam do que estava acontecendo e não fizeram nada. Quem está aqui para acusar o senhor? Ninguém. Mas quem vai pagar somos nós, pais e mães de família que não têm outra opção!”, completou.
A servidora também rejeitou a proposta de transformar os trabalhadores da autarquia em cooperados:
“Cooperativa para nós não serve! Vai ter gente que aceita, porque precisa trabalhar. Mas não é justo. A gente tem história aqui dentro!”
Ao ouvir o apelo, o prefeito Cláudio Ferreira tentou responder, mas suas palavras não acalmaram o clima de revolta. “Eu concordo com tudo o que a senhora falou, mas quero dizer que também sou uma vítima, tanto quanto vocês”, afirmou, reforçando que herdou a empresa em estado crítico, com mais de R$ 260 milhões em dívidas, sem certidão negativa e impossibilitada de firmar novos contratos. A CODER emprega cerca de 600 trabalhadores diretos, muitos com mais de uma década de serviço prestado à cidade.
Segundo ele, o modelo da Coder é “obsoleto”, e a Prefeitura só conseguiu manter contratos com a autarquia graças a uma autorização extraordinária do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Apesar disso, o argumento técnico não foi suficiente para conter o desgaste político. O anúncio da liquidação da Coder gerou protestos imediatos, com gritos de “covarde!” direcionados ao prefeito, que deixou o local sob forte pressão popular.



























