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    Reforma tributária: Brasil poderá ter maior alíquota de IVA do mundo; veja ranking

    O secretário extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, disse que estimativas da pasta apontam que a alíquota padrão da nova tributação sobre consumo ficará em torno de 28%.

    De acordo com o secretário, a alíquota deve ficar apenas um pouco acima do que era a do texto aprovado na Câmara dos Deputados antes de ir para o Senado. Quando o texto da reforma foi entregue ao Congresso, em abril do ano passado, a alíquota média era estimada em 26,5%. Porém, após alterações aprovadas pela Câmara, as projeções subiram para 27,97%.

    “Não estamos dizendo que a alíquota será essa [28%]. A projeção dos dados que temos hoje aponta para uma alíquota dessa ordem”, afirmou Appy, acrescentando que as projeções exatas do governo para as alíquotas serão apresentadas nos próximos dias.

    O secretário ainda argumentou que a reforma aprovada estabelece uma espécie de trava para evitar que a alíquota padrão rompa a barreira de 26,5%.

    Caso esse nível seja ultrapassado no final do período de transição em 2031, o projeto exige que o governo envie ao Congresso Nacional um projeto de lei complementar reduzindo benefícios de forma a fazer a alíquota retornar a esse patamar.

    O primeiro projeto de regulamentação da reforma tributária sobre o consumo foi sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira, 16.

    Segundo os técnicos, foram feitos 15 blocos de vetos, que serão posteriormente analisados pelo Congresso. Para Appy, o texto sancionado respeitou a posição do Legislativo e mantém a essência da reforma.

    A reforma tributária cria a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) — que substituirá os tributos federais Pis e Cofins –, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) — que vai aglutinar ICMS (estadual) e ISS (municipal). Também é criado o Imposto Seletivo, que visa desestimular o consumo de produtos e serviços nocivos à saúde e ao meio ambiente.

    De acordo com o secretário, o governo ainda não fechou as alíquotas para o Imposto Seletivo. Essa definição será apresentada em projeto de lei nos próximos meses, disse ele.

    Maior IVA do mundo
    Caso se confirme os 28% de alíquota padrão, o Brasil terá a maior alíquota de Imposto de Valor Agregado (IVA) do mundo.

    A alíquota-padrão ainda será maior que a de países como Noruega, Portugal, Itália e Bélgica, que cobram entre 21% e 25% de IVA. O Brasil ainda terá uma alíquota muito superior à de países da América Latina, como Chile e Colômbia, que cobram 19%, e México, cuja alíquota média é de 16%.

    Veja o ranking dos países com maior alíquota de IVA

    1. Brasil 28%
    2. Hungria 27%
    3. Dinamarca 25%
    4. Noruega 25%
    5. Suécia 25%
    6. Finlândia 24%
    7. Grécia 24%
    8. Islândia 24%
    9. Irlanda 23%
    10. Polônia 23%
    11. Portugal 23%
    12. Eslovênia 22%
    13. Itália 22%
    14. Bélgica 21%
    15. Espanha 21%
    16. Letônia 21%
    17. Lituânia 21%
    18. Países Baixos 21%
    19. Tchéquia 21%
    20. Eslováquia 20%
    21. Estônia 20%
    22. França 20%
    23. Reino Unido 20%
    24. Turquia 20%
    25. Áustria 20%
    26. Média não ponderada da OCDE 19,2%
    27. Alemanha 19%
    28. Chile 19%
    29. Colômbia 19%
    30. Israel 17%
    31. Luxemburgo 17%
    32. México 16%
    33. Nova Zelândia 15%
    34. Costa Rica 13%
    35. Austrália 10%
    36. Coreia do Sul 10%
    37. Japão 10%
    38. Suíça 7,7%
    39. Canadá 5%

    Da redação com Reuters

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