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    Bem-estar dos profissionais da linha de frente é uma questão de saúde pública

    O Relatório final Diálogos sobre Políticas para Resiliência e Bem-estar dos Profissionais da Saúde, de iniciativa do Synergos Brasil e da FGV-saúde, com o apoio da Johnson & Johnson, é o início de um diálogo multissetorial sobre o tema.

    A pandemia tornou ainda mais evidente que os profissionais da linha de frente precisam de cuidados e que é preciso um esforço multissetorial para identificar problemas e buscar soluções. Esse projeto nasceu da união de um grupo multissetorial e representativo do setor saúde como representantes dos profissionais da saúde, instituições de governo, sociedade civil, iniciativa privada e organismos internacionais, em um total de 22 organizações.

    Foi realizado um processo de construção coletiva de recomendações de medidas para promoção de melhores condições de trabalho para os profissionais de saúde dos setores público e suplementar.

    A pauta está permeando discussões internacionais na OMS – Organização Mundial da Saúde e no IHI – Institute for Healthcare Improvement, pois antes todas as análises eram centradas apenas na experiência do paciente. Hoje a resiliência e o bem-estar dos profissionais estão sendo incluídos no conceito de qualidade da saúde. São 3.052.708 trabalhadores em saúde no Brasil, sendo 75% mulheres, segundo dados do Ministério da Saúde.

    “Esperamos que outros atores se somem, avançando e aprofundando as recomendações aqui apresentadas”, destaca o professor doutor Alberto Ogata, pesquisador da FGVsaúde.

    O documento também será amplamente divulgado e distribuído a todas as entidades e representações do setor saúde, sindicatos empresariais e de trabalhadores, universidades, governos nos três níveis de poder, assembleias legislativas, câmaras municipais e congresso nacional.

    Mudança sistêmica

    Promover a resiliência e o bem-estar dos profissionais da linha de frente da saúde é um desafio que exige mudanças na estrutura do sistema de saúde brasileiro, que é altamente complexo e abrangente. Mudanças nas relações entre os diversos atores que compõem este sistema e mudanças na visão que a sociedade possui sobre a importância destes profissionais para a qualidade da saúde oferecida à população.

    Para dar conta de toda esta complexidade, o documento usou a abordagem da mudança sistêmica para estruturar os diálogos e reflexões dos participantes.

    Recomendações

    O grupo pretende que o Relatório inspire todos os envolvidos na cadeia da saúde. “É um documento convocador, um convite para que todos tomem conhecimento dele e usem como base para ampliar debates e procurar soluções”, destaca o professor Ogata.

    O grupo ressaltou a importância das políticas organizacionais de gestão de pessoas, destacando incluir a saúde e qualidade de vida dos trabalhadores na dimensão S dos modelos de ESG (sigla em inglês para governança ambiental, social e corporativa).

    Também recomenda implementar políticas para o tratamento de denúncias e que visem a eliminação do assédio moral e sexual nas instituições de saúde.

    Entre as práticas do setor, propõe incluir nas avaliações dos serviços de saúde, inclusive em processos de certificação e acreditação, métricas envolvendo saúde, segurança e bem-estar dos trabalhadores da saúde, principalmente da linha de frente. Lembrando que essas avaliações hoje encontram-se centradas na experiência do paciente.

    O documento sugere também implementar ou revisar sistemas de ouvidoria e gestão de crise com garantia de proteção e sigilo, enfatizando as melhores práticas de compliance e a padronização e disseminação de boas práticas de liderança.

    No entanto, o Relatório ressalva que os resultados esperados somente serão atingidos se ocorrer uma ação intersetorial, evitando a fragmentação das iniciativas com ações isoladas e garantindo a participação efetiva dos trabalhadores.

    Para a professora Gabriela Lotta, pesquisadora da FGV-EAESP, as organizações que prestam serviços na área da saúde precisam estar preparadas para prevenir os riscos ocupacionais e promover um ambiente de trabalho saudável aos trabalhadores. “Sem isso, intervenções de apoio psicológico terão baixos resultados, pois não tratam a raiz do problema. Todo o sistema de saúde precisa estar unido para a valorização de seus profissionais. Melhorar as condições de trabalho do profissional de saúde é também uma questão de saúde pública”, destaca.

    O relatório está disponível para download no endereço: www.syngs.info/profissionaisdesaude

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