EU, VOCÊ E AS ELEIÇÕES

EU, VOCÊ E AS ELEIÇÕES

 

Eleições 2016

Admiro Paulo Freire, suas obras e seu legado para a educação que vai para além da classe docente. Quem o lê sente a necessidade de tornar-se “ser”, “estar” perceptível. É por esse ser perceptível que nos movemos para estar em ação. Perceber-nos cidadãos para exercer a cidadania, para a prática do educar-se para educar, ou seja, aprendendo a ensinar. Guardo algumas frases importantes desse homem de visão e valore éticos – “não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho” – “não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo…”.
Muitos dentre todas as idade por motivo x ou y, ainda não sabem ler que Eva viu a uva, outros mesmo sabendo não sabem que lugar eles próprios ocupam no texto social, o que produzem, para quem produzem, outros mesmo sabendo ou entendo seu lugar no contexto escolhem caminhos, ou de luta individual ou coletiva.
Trazendo um pouco dessas palavras para nossa realidade, devemos sempre buscar entender nosso lugar, nosso “ser e estar” no contexto brasileiro e político. O certo é que ocupamos um lugar importante, impactante, por muitos ainda não totalmente descobertos, já que o futuro da nação passa por nossas mãos, através do nosso crivo e nosso sim, e faz diferença se não estamos aqui para simplesmente nos adaptar ao mundo, mas para agir por uma mudança real.
Temos o dever de estar prontos para uma reforma, não uma reforma de cima para baixo, mas de baixo para cima. A mudança começa por todos nós que conscientes do contexto errôneo que se encontra a administração dessa nação, deve mexer-se para conscientizar aqueles que ainda são iludido por melhorias esquecidas nas promessas eleitoreiras, pela troca ou venda do voto, pela perda dos valor da própria cidadania, egoísta em seus desejos e alienado ao bem comum.
A mudança só se dará quando nós conscientes dos valores que sustentam nossa nação, levantarmos a voz sem vergonha de parecermos utópicos. Levantar a voz e fazer entender que no país do jeitinho, nada tem jeito enquanto a educação de base não for tratada com dignidade, a saúde não for revista e reinventada com um olhar diferenciado não só para a humanização, mas para instrumentalização do atual sistema que a torna impossível.
Com a aproximação das eleições, comparando o país a um rio, temos as margens deste, duas classes, de um lado eleitores, submetidos a uma ditadura branca, ou votamos ou somos penalizados por nossa falta às urnas, não temos direito a escolha de voto facultativo; do outro, a classe política organizada, sedenta de poder, no meio um país que corre como um rio, poluído pela corrupção, pelo obstáculos interesseiros e vantajosos impostos por alguns, pelo desconforto econômico, desigualdade social, exclusão e marginalização, que o faz perde o curso.
É tempo de oportunidade, de sair do comodismo e engajarmo-nos em processos de conscientização, sendo ou não partidários, estando ou não a frente de movimentos, a escolha é livre, mas o dever é de todos. Pode ser um trabalho de formiguinha, mas deve ser responsável, transparente, um trabalho de amor a esse país, para que seja um lugar justo e digno para todos.
Que essa conscientização seja reflexo dos belos protestos que nasceram com a expressão, “#VEMpraRUA”, que fez nascer na juventude de hoje, afastada da vida institucional, por causa da desmoralização política com a qual convive diariamente, uma nova esperança.
Política se faz com responsabilidade individual e coletiva, somos capazes de grandes conquistas e temos dons extraordinários, só nos falta em algumas situações, aprender a prender.

Silvia Arrue Lima Dalmaso

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