CASOS ESQUECIDOS: A TRAGÉDIA DO CIRCO EM RONDONÓPOLIS

CASOS ESQUECIDOS: A TRAGÉDIA DO CIRCO EM RONDONÓPOLIS

Processo irá completar 15 anos e até hoje não foi concluído

Existem casos em que os verdadeiros responsáveis ou culpados nunca foram devidamente punidos pela justiça, entre eles está uma tragédia que é bem conhecida da população de Rondonópolis que aconteceu em 2002, há quase 15 anos.

Jornais da época noticiavam a tragédia que marcou a vida de muitas famílias:

Matuzalen Teixeira/Jornal de Hoje

Circo desaba e 4 pessoas morrem em Rondonópolis 10/12/2002

A estrutura do circo não suportou os fortes ventos que atingiram a cidade na noite do domingo

Quatro pessoas morreram e pelo menos outras 11 ficaram feridas durante o desabamento do Circo Del Sol no final da tarde de domingo, em Rondonópolis (218 quilômetros ao sul de Cuiabá). Na hora chovia e ventava muito na região. A arena estava instalada em frente ao shopping Rondon Plaza, no bairro Vila Aurora, e seria a última apresentação na cidade.

Das quatro vítimas, três são crianças. Os corpos de Dionísio Carlos de Souza Pena, 31 anos, e de sua filha Daiane Elis Barbosa Pena, 8, foram encontrados abraçados. Também morreram Thainy Dias Florêncio, 10 anos, e Daiany Lezerman, 3. Testemunhas acreditam que eles tentaram se proteger atrás do caminhão.

Na hora do acidente, cerca de 200 pessoas assistiam ao espetáculo e houve muito tumulto. Parentes e amigos chegavam a toda hora em busca de informação. Testemunhas disseram que os organizadores chegaram a pedir a retirada do público, mas não houve tempo. As vítimas foram socorridas por moradores, soldados do Corpo de Bombeiros e policiais militares.

O proprietário do Circo Del Sol, Alberto Cassagna, foi preso em flagrante após o acidente, pagou fiança de R$ 800 e foi liberado. Ele poderá responder por homicídio culposo (sem intenção). A auxiliar de Criminalística informou que o proprietário possui autorização de funcionamento do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) e da Prefeitura.

O historiador e professor da Universidade Federal de São Carlos (SP), Marco Antônio Villa explica o que implica a impunidade no país.

“Com um poder judiciário que funciona lentamente. Quando não se pune ninguém, esses fatos vão crescendo em progressão geométrica. E há uma absoluta desvalorização da estrutura democrática brasileira e do Estado brasileiro. A punição deve ser rápida e exemplar. A morosidade da Justiça fortalece a impunidade e estimula a corrupção”. Disse o historiador

Claudiana Barbosa, que na ocasião ficou viúva e perdeu a filha conversou com a reportagem do Marreta Urgente e explicou:

“Até hoje ninguém foi efetivamente responsabilizado pela justiça, o processo já vai para 15 anos e as informações que recebo dos advogados é que a justiça tem dificuldade de localizar os possíveis envolvidos”.

A reportagem apurou também que até hoje nenhum familiar da tragédia recebeu qualquer indenização por morte de seus entes queridos.

A indenização, claro, não traz ninguém de volta. Mas quando um processo é encerrado e acaba é como um fechamento para os familiares. É um livro que se fecha e vai para a prateleira. Ele vai ficar ali sempre, mas não vai ficar aberto. Além de suprir as necessidades financeiras de quem foi prejudicado pela tragédia.

“Justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada”.- Rui Barbosa

 

Redação

 

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