CARNE FRACA: FISCAL USAVA “REDE SUBWAY” PARA LAVAR DINHEIRO, DIZ JUIZ

SEGUNDO MAGISTRADO, AGENTE DO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA JUAREZ JOSÉ SANTANA REGISTRA ‘ACRÉSCIMO PATRIMONIAL INCOMPATÍVEL COM SEUS REGULARES VENCIMENTOS

Duas unidades da rede Subway em Londrina foram apontadas pelo juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná, como instrumentos de lavagem de dinheiro  por um investigado na Operação Carne Fraca, deflagrada nesta sexta-feira pela Polícia Federal. O dono das franquias, o fiscal agropecuário Juarez José Santana, é apontado pela investigação como líder da organização criminosa de fiscais do Ministério da Agricultura que receberiam propina para liberar a comercialização de carnes em desacordo com a legislação.

De acordo com o juiz, “o fato de Juarez manter franquias de lanchonete é um método eficiente para direcionar o dinheiro das propinas obtido ilicitamente, por meio de crime de corrupção, ao fomento de um empreendimento lícito, que gere boa renda, modificando, desta forma, a origem do dinheiro, que magicamente se transmuta da natureza ilegal para legal. É a famosa prática adotada pela máfia italiana desde a primeira metade do século XX, que acabou conhecida pela expressão ‘lavagem de dinheiro’”.

Em uma ligação interceptada pela Justiça, um sobrinho de Santana, André Jansen de Mello de Santana, liga para um funcionário da lanchonete, de acordo com o juiz, provavelmente do escritório administrativo da empresa, para saber a posição do saldo nas contas principais. Ele ainda “pede atenção para as contas de Londrina, a fim de que nelas não reste saldo, porque no ‘final de semana deve cair coisa’. Há indícios, portanto, de que as contas da Subway são utilizadas para receber dinheiro, que não pode ficar nela parado”. O despacho informa que a investigação teve início a partir de possíveis irregularidades noticiadas pelo fiscal agropecuário federal Daniel Gouvêa Teixeira na Superintendência Federal do Ministério da Agricultura no Paraná.

Teixeira declarou que fiscais federais agropecuários em Londrina mencionaram o nome de Santana, chefe há anos da unidade, como participante do esquema de corrupção estruturado no ministério, que incluía “venda de certificados de cargas internacionais na região de Londrina e remoção de fiscais em atendimento ao interesse das empresas fiscalizadas”.

O despacho do juiz aponta que Santana “registra acréscimo patrimonial incompatível com seus regulares vencimentos de funcionário público, sendo que parte desse patrimônio consiste em pontos comerciais em shoppings e franquias de alimentação Subway em Londrina, tudo formalmente vinculado aos nomes de familiares”.

O juiz ressalta ainda que o investimento médio para iniciar a operação de uma franquia da Subway no país varia de 400.000 reais a 1 milhão de reais, “valor muito superior àquele licitamente recebido em função de seu cargo público”.

Defesa

A Subway lembrou que não é investigada pela Polícia Federal e nem tem qualquer participação nos crimes investigados pela Operação Carne Fraca. “A rede, que há tempos tem estabelecido políticas na condução dos seus negócios de forma íntegra, jamais toleraria qualquer tipo de corrupção. Informa ainda que colaborou com a PF em sua investigação e continuará a fazê-lo, se solicitado. Juarez José Santana, preso hoje durante a ação policial, não é operador ou proprietário de uma franquia da rede.”

A empresa acrescentou ainda que é “criteriosa na seleção de franqueados e fornecedores e avalia regularmente o desempenho dos proprietários. Além disso, realiza auditorias constantes na cadeia de abastecimento para ajudar a garantir a qualidade dos produtos, alimentos e serviços aos clientes”.

 

Redação com veja.com